
Foto: Pedro Chagas / Agência Minas
Minas Gerais enfrenta um período crítico de doenças respiratórias, com média diária de 70 casos registrados em 2024. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), o estado deve atingir o pico de internações nas próximas quatro semanas, afetando principalmente idosos acima de 65 anos e crianças menores de 2 anos. Para enfrentar essa situação, o governo estadual anunciou a abertura de novos leitos e o reforço nas campanhas de vacinação.
O Hospital Infantil João Paulo II, unidade de referência no tratamento de doenças respiratórias infantis, registrou um aumento significativo nos atendimentos entre fevereiro e março, saltando de 2 mil para quase 5 mil casos. Para atender à crescente demanda, o estado está implementando medidas emergenciais:
• Abertura de sete novos leitos de UTI e 19 de enfermaria no Hospital Infantil João Paulo II, que já opera com 80% de ocupação nos leitos de terapia intensiva.
• Instalação de dois novos consultórios médicos e oito salas de decisão clínica para agilizar o atendimento e diagnóstico dos pacientes.
• Contratação de 34 médicos, 18 fisioterapeutas, 10 enfermeiros e 69 técnicos de enfermagem para reforçar o quadro de profissionais de saúde.
"Tivemos um crescimento no número de atendimentos e precisamos nos preparar para o pico que deve acontecer daqui a um mês. Esses leitos serão disponibilizados para que consigamos internar esses pacientes em curto prazo", afirmou o secretário da SES-MG, Fábio Baccheretti.
O secretário também destacou a importância da antecipação das medidas: "Esses leitos passam a estar disponíveis antes porque a doença sazonal cresce rapidamente. Estamos nos antecipando para melhor atender à população. O paciente que mais nos preocupa não é aquele com sintomas leves, mas sim quem apresenta falta de ar e precisa de atendimento especializado".
Quanto ao atendimento de adultos e idosos, Baccheretti informou que a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) já está preparada. "Mantivemos boa parte dos leitos no Hospital Júlia Kubitschek abertos, o que já é suficiente. Reforçamos o pronto atendimento, assim como no Eduardo de Menezes", disse.
Os dados da SES-MG revelam que os idosos entre 65 e 72 anos são um dos grupos mais vulneráveis, somando mais de 9 mil internações. Segundo Baccheretti, isso ocorre devido à rápida queda da imunidade nessa faixa etária. "A imunidade nos idosos se perde em cerca de 10 meses. Precisamos considerar como se ele não tivesse se vacinado no ano passado. Por isso, priorizamos a imunização deles e insistimos para que busquem os postos de saúde o quanto antes", explicou.
A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção contra casos graves e redução de internações. Minas Gerais já recebeu as primeiras doses da vacina contra influenza e iniciou a campanha focando nos grupos prioritários, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes. Para ampliar a cobertura vacinal, o Governo de Minas vai promover um Dia D de mobilização no sábado (11/4), com ações em municípios de todas as regiões do estado. Além da vacina contra a gripe, o calendário inclui imunizantes contra covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Uma das estratégias inovadoras deste ano é a vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes a partir da 28ª semana, transferindo proteção para o bebê ainda durante a gestação. Também está sendo aplicado o anticorpo monoclonal nirsevimabe para proteger crianças com maior risco de complicações.
Até o momento, Minas Gerais registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com hospitalização, sendo 323 por covid-19, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório (VSR).