
Liesse Costa: ''Igreja: Lugar de Acolhimento''
Desafios e caminhos para uma comunidade que acolhe a todos, à luz do amor de Cristo
Em tempos de crescimento e transformação social, a Igreja é constantemente desafiada a reafirmar sua essência: ser um lugar de acolhimento. Muito além de paredes e estruturas, a Igreja é chamada a refletir o amor de Cristo em sua forma mais prática, recebendo, cuidando e incluindo todos aqueles que chegam, independentemente de suas limitações, histórias ou condições.
A Bíblia nos orienta claramente sobre esse papel. Em Romanos 15:7, lemos: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” Esse acolhimento não é seletivo, nem condicionado; é amplo, intencional e cheio de graça.
No entanto, na prática, esse chamado tem exigido das igrejas um esforço cada vez maior de preparo e conscientização. Vivemos em uma sociedade diversa, onde pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficientes visuais, auditivos e pessoas com mobilidade reduzida também buscam um espaço para viver sua fé, sentir pertencimento e experimentar Deus.
Receber bem vai além de um sorriso na porta. Envolve estrutura, preparo e, principalmente, sensibilidade. Igrejas precisam investir em ministérios de acolhimento e inclusão, capacitando voluntários e líderes para lidar com diferentes realidades. É necessário compreender, por exemplo, que pessoas com TEA podem ter sensibilidades sensoriais, dificuldade com ambientes muito barulhentos ou necessidade de rotinas mais previsíveis. Já os deficientes auditivos necessitam de intérpretes de Libras; os visuais, de recursos acessíveis; e os cadeirantes, de espaços adaptados.
Nesse ponto, vale lembrar que a acessibilidade física não é apenas uma questão de boa vontade, mas também de cumprimento da lei. Rampas de acesso, banheiros adaptados e espaços adequados não devem ser vistos como opcionais, mas como parte do compromisso da Igreja com a dignidade humana.
Jesus, em seu ministério, sempre demonstrou um olhar atento aos que eram marginalizados. Em Mateus 11:28, Ele declara: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” A Igreja, como corpo de Cristo, deve ecoar esse convite, garantindo que ninguém se sinta excluído ou invisível.
Outro ponto essencial é compreender que o crescimento das igrejas traz consigo uma responsabilidade proporcional. Quanto mais pessoas chegam, mais diversidade existe, e, com ela, a necessidade de preparo. Não basta crescer em número; é preciso crescer em amor, estrutura e maturidade.
Ser uma Igreja acolhedora é um processo contínuo. Exige quebrar paradigmas, investir em conhecimento e, acima de tudo, permitir que o Espírito Santo molde o coração da comunidade. Como está escrito em Tiago 2:1: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.”
Que nossas igrejas sejam conhecidas não apenas por seus cultos, mas pela forma como abraçam pessoas.
Que cada porta aberta seja um sinal visível do amor de Deus. E que, diante dos desafios, a resposta seja sempre a mesma: acolher, amar e incluir.