
PSD – GILBERTO KASSAB
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, declarou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) governou o Brasil "sem nenhuma vocação para a vida pública". Durante discurso realizado em um evento do grupo empresarial Lide nesta segunda-feira, Kassab ressaltou que o desempenho pessoal de Bolsonaro ficou "muito aquém da expectativa dos brasileiros" quando esteve à frente do Palácio do Planalto. Segundo Kassab, Bolsonaro chegou ao poder em um contexto de forte rejeição ao PT, mas seu fraco desempenho na Presidência acabou abrindo caminho para o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comando do país.
O presidente do PSD não poupou críticas ao avaliar a gestão do ex-presidente. "[Na eleição de 2018] Quem batesse no PT levava, o Brasil não podia mais ouvir falar no PT. E assume o presidente Bolsonaro, sinceramente sem nenhuma vocação para a vida pública. Não tem um bom desempenho pessoal, ao contrário um desempenho muito aquém da expectativa dos brasileiros, que queriam algo totalmente diferente", afirmou o dirigente partidário durante o evento.
Na avaliação de Kassab, o governo Bolsonaro só conseguiu chegar ao fim graças à atuação de alguns ministros que sustentaram a gestão, citando especificamente Paulo Guedes, Tereza Cristina (PP) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). "E ficamos por aí", complementou, sugerindo que foram poucos os destaques positivos da administração anterior.
Durante o mesmo evento, Kassab aproveitou para promover o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmando que ele pode se beneficiar da alta rejeição dos dois candidatos atualmente melhor posicionados nas pesquisas: Lula e Flávio Bolsonaro (PL). O presidente do PSD questionou a precisão das sondagens eleitorais atuais e declarou que "ninguém aguenta mais a falta de respostas do governo federal – e os dois já foram governo – na questão da corrupção".
Ao ser questionado por jornalistas, Kassab fez questão de destacar que o PSD não fará aliança com o PT em São Paulo e reafirmou o apoio incondicional à reeleição do atual governador. "Na eleição de 2022 o PSD apoiou o Tarcísio, foi o primeiro partido. E agora, se aproximando a reeleição, nós temos a mesma posição. Estamos com o Tarcísio incondicionalmente. Não precisamos de nenhum cargo", declarou.
As declarações de Kassab provocaram reação imediata na família Bolsonaro. Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina e filho do ex-presidente, compartilhou em suas redes sociais uma postagem que reproduzia a fala de Kassab sobre "nenhuma vocação para a vida pública". "Veremos a união da direita defender o Presidente Bolsonaro.... mais uma vez?", ironizou Carlos, que tem criticado frequentemente a pulverização de candidaturas no espectro da direita e a falta de engajamento de políticos conservadores na pré-campanha de seu irmão Flávio ao Planalto.
Essa não foi a primeira manifestação crítica de Carlos Bolsonaro. Anteriormente, em meio à crescente troca de farpas entre lideranças da direita, incluindo embates públicos entre membros da família Bolsonaro e parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos já havia questionado as estratégias adotadas pelo irmão. Ele criticou o postulante ao Planalto, sugerindo que Flávio estaria se apoiando "em quem lhe oferece discursos ilusórios".
"Ouça ao menos um pouco do que venho lhe dizendo há tempos, e não apenas aqueles que possuem outros interesses ao seu redor. É preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente", escreveu Carlos, evidenciando as tensões internas no grupo político.