
Donald Trump - Foto: Daniel Torok/White House
O governo do Irã negou nesta segunda-feira (6) reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um "cessar-fogo temporário" proposto pelos Estados Unidos. A informação foi transmitida por um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters. A fonte acrescentou que Teerã considera que Washington não está preparado para um cessar-fogo permanente.
De acordo com o funcionário, o Irã recebeu a proposta de cessar-fogo imediato apresentada pelo Paquistão e está analisando o plano. No entanto, ressaltou que Teerã não aceita ser pressionado a cumprir prazos ou tomar decisões apressadas sobre o assunto.
O esboço do acordo prevê duas etapas principais:
* Primeiro, um cessar-fogo imediato entre as partes envolvidas no conflito, suspendendo as hostilidades na região
* Em seguida, um acordo mais amplo que poderia ser finalizado em um prazo de 15 a 20 dias, conforme revelou uma fonte próxima às negociações
A proposta chega em momento crítico, em meio a ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu novos ataques à infraestrutura energética e de transporte do Irã caso não haja acordo e a passagem estratégica não seja reaberta até terça-feira (7). Trump posteriormente estabeleceu o prazo final para as 20h do horário da costa leste americana.
Novos bombardeios foram registrados na região nesta segunda-feira, mais de cinco semanas após o início da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta às ações militares, Teerã bloqueou praticamente todo o Estreito de Ormuz, via marítima crucial por onde circula aproximadamente um quinto do petróleo e gás natural comercializados globalmente.
O Irã também respondeu com ataques a Israel, bases militares americanas e instalações energéticas na região do Golfo, ampliando a tensão no Oriente Médio. No último sábado (4), o presidente americano ameaçou desatar um "inferno" se o Irã não chegasse a um acordo em 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz.
Os bombardeios recentes atingiram áreas próximas a uma usina nuclear iraniana. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, alertou que os efeitos de qualquer chuva radioativa atingiriam com maior intensidade os países vizinhos do Golfo, elevando as preocupações sobre as consequências regionais do conflito.
O atual conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, que resultaram na morte do guia supremo Ali Khamenei. Esses ataques desencadearam uma campanha de bombardeios da República Islâmica no Oriente Médio, com sérias repercussões na economia global.