
Foto: oficial da Casa Branca/Shealah Craighead)
O Irã prometeu lançar ataques "devastadores" contra os Estados Unidos e Israel após as ameaças do presidente americano Donald Trump de bombardeios intensos que poderiam levar o país de volta à "Idade da Pedra". A escalada de tensões ocorre em meio a novas explosões que sacudiram o território iraniano nesta quinta-feira (2), enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou sobre o risco de uma guerra mais ampla no Oriente Médio.
Após mais de um mês de conflito que já deixou milhares de mortos em toda a região, o Exército iraniano declarou que executará ataques "devastadores" contra Israel e os Estados Unidos "até a sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição". Esta declaração veio em resposta ao discurso de Trump na quarta-feira à noite, que prometeu continuar bombardeando a República Islâmica por mais duas ou três semanas.
Intensificação dos Ataques
O exército israelense repeliu disparos de mísseis procedentes do Irã e do Hezbollah, seu aliado libanês, além de detectar um míssil vindo do Iêmen durante a Páscoa judaica. * Rebeldes huthis do Iêmen afirmaram ter realizado um quarto ataque com mísseis contra alvos na área de Tel Aviv. No Líbano, a ofensiva terrestre de Israel provocou um êxodo em massa, com a diretora da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, alertando que as perspectivas de um deslocamento prolongado são "muito alarmantes", com zonas "que estão sendo completamente arrasadas".
Em Teerã, os bombardeios causaram danos consideráveis ao Instituto Pasteur do Irã, e várias explosões foram relatadas em diferentes bairros da capital. O Irã continuou atacando aliados dos Estados Unidos, com o governo dos Emirados Árabes Unidos anunciando que interceptou 19 mísseis e 26 drones nesta quinta-feira. Em comunicado transmitido pela TV estatal, o comando central do exército iraniano afirmou que sua última onda de ataques teve como alvos os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Israel, em represália aos bombardeios contra suas instalações industriais.
A instituição destacou que os alvos incluíam "indústrias siderúrgicas americanas em Abu Dhabi, indústrias americanas de alumínio no Bahrein e as fábricas de armamento Rafael, do regime sionista". Segundo a agência Tasnim, o Irã atacou centros de dados das empresas americanas Oracle em Dubai e Amazon no Bahrein. Trump, por sua vez, afirmou que a ponte mais alta do Irã foi destruída e publicou imagens de uma coluna de fumaça sobre a passagem B1 em Karaj, 35 km a sudoeste de Teerã. Apesar da tensão, alguns moradores de Teerã aproveitaram o último dia das festividades de Nowruz, o Ano Novo persa, no parque Mellat para fazer churrasco ou fumar narguilé, segundo um fotógrafo da AFP.
Contudo, um morador da capital, que preferiu não se identificar, descreveu como a vida diária na cidade foi alterada "com mais agentes da Guarda Revolucionária por aí". Ele acredita que os agentes estão nas ruas "para mostrar às pessoas que continuam no poder e nada vai mudar". Em Israel, a situação obrigou muitos cidadãos a celebrar a Páscoa judaica em abrigos subterrâneos para se proteger dos ataques iranianos.
"Pelo menos aqui no abrigo, podemos sentar e esperar que passe", disse um escritor identificado como Jeffrey em um bunker de Tel Aviv. O país anunciou um balanço de quatro pessoas levemente feridas na região de Tel Aviv após os ataques.
A Guarda Revolucionária iraniana prometeu manter fechado o estratégico Estreito de Ormuz aos "inimigos" do país, uma passagem marítima por onde transitavam 20% das exportações mundiais de petróleo bruto antes da guerra. Os preços do petróleo, que haviam registrado queda na quarta-feira com a esperança de uma desescalada, voltaram a subir após o discurso de Trump. O Reino Unido organizou uma reunião virtual com quase 40 países nesta quinta-feira, após a qual acordaram pedir a "reabertura imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) solicitou que o Conselho de Segurança da ONU autorize o uso da força para liberar o estreito. O Irã, por sua vez, afirmou que está elaborando um protocolo com Omã para garantir a segurança da navegação nesta passagem marítima "em tempos de paz". A atual escalada de tensões entre o Irã, Israel e os Estados Unidos ameaça desestabilizar ainda mais a região do Oriente Médio, com potenciais consequências para a economia global, especialmente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Enquanto os ataques continuam de ambos os lados, os apelos internacionais por um cessar-fogo imediato permanecem sem resposta efetiva.