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O Irã realizou um ataque que afetou a operação de computação em nuvem da Amazon Web Services (AWS) no Bahrein, segundo informações divulgadas pelo Financial Times nesta quarta-feira (1º). De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, a unidade da AWS no país do Golfo sofreu danos significativos após a ofensiva iraniana, em meio ao crescente conflito na região do Oriente Médio. O Ministério do Interior do Bahrein confirmou que equipes da defesa civil foram mobilizadas para conter um incêndio em uma instalação empresarial, provocado pelo que classificou como uma "agressão iraniana".
No entanto, o órgão não especificou qual empresa foi atingida no ataque. Este incidente ocorre apenas um dia após a Guarda Revolucionária do Irã emitir ameaças diretas contra empresas americanas que operam no Oriente Médio. A corporação militar iraniana divulgou uma lista com 18 organizações selecionadas como alvos potenciais, informando que suas unidades poderiam ser bombardeadas a partir das 20h desta quarta-feira (1º) em Teerã - 13h30 no horário de Brasília.
Em comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana, os militares afirmaram: "Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro".
Entre as empresas ameaçadas pelo Irã estão gigantes da tecnologia como: Microsoft, Apple, Google e Meta; fabricantes de hardware como Intel, HP, Cisco e Dell; empresas de tecnologia avançada como Nvidia, Oracle e Palantir; e Corporações de outros setores como Boeing, GE, Tesla, JP Morgan, G42 e Spire Solution.
Curiosamente, a Amazon não constava na lista oficial divulgada pela Guarda Revolucionária do Irã, apesar de suas instalações terem sido aparentemente atingidas. Quando procurada pela agência Reuters, a Amazon não comentou diretamente sobre o ataque específico ao seu centro de dados no Bahrein. Segundo o Financial Times, não é a primeira vez que instalações da AWS na região são afetadas.
O jornal reporta que unidades da empresa já foram atingidas diversas vezes desde o início do conflito no Oriente Médio, embora os detalhes sobre a extensão dos danos anteriores não tenham sido amplamente divulgados. Esta escalada de tensões ocorre em um momento particularmente delicado para a região, com Israel anunciando planos de ocupação do sul do Líbano após sua guerra contra o Hezbollah, enquanto os Estados Unidos ampliam sua presença militar no Oriente Médio diante da indefinição sobre um possível conflito direto com o Irã. O ataque à infraestrutura da AWS representa uma nova dimensão no conflito, direcionando ações militares contra instalações tecnológicas críticas que sustentam serviços digitais globais, demonstrando a disposição do Irã em mirar alvos estratégicos ligados aos interesses americanos na região.