
Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte - Foto: Fhemig
O Hospital João Paulo II, referência em atendimento pediátrico em Belo Horizonte, registrou um aumento significativo de 65% na demanda do pronto atendimento, principalmente por casos de doenças respiratórias como nasofaringite, bronquiolite, bronquite, asma e otite. As internações também cresceram 38% em comparação ao período fora da sazonalidade.
Para enfrentar esse cenário de aumento de casos respiratórios, o Hospital João Paulo II implementou uma série de medidas emergenciais para ampliar sua capacidade de atendimento e garantir assistência adequada à população infantil.
* A unidade ampliou sua estrutura física com a adição de sete novos leitos de UTI e 19 leitos de enfermaria, aumentando significativamente sua capacidade de internação para casos mais graves.
* Dois novos consultórios foram abertos no pronto atendimento, permitindo que mais crianças sejam avaliadas simultaneamente, reduzindo o tempo de espera e melhorando o fluxo de pacientes.
* A sala de medicação recebeu cinco novos pontos de atendimento, otimizando o tratamento de pacientes que necessitam apenas de medicação sem internação.
* Há previsão de ampliação de mais oito leitos na sala de decisão clínica, caso a demanda continue aumentando nas próximas semanas.
* O quadro de profissionais foi reforçado com a contratação de 150 novos colaboradores, incluindo 34 médicos, 10 enfermeiros, 69 técnicos de enfermagem e 18 fisioterapeutas respiratórios especializados.
Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o aumento de casos já era esperado para o período entre março e junho, considerado crítico para doenças respiratórias.
Até o momento, segundo a secretaria, não há pressão significativa no sistema de atendimento da capital. Mesmo assim, existe um plano de enfrentamento que prevê a abertura gradual de leitos e ampliação dos serviços conforme a necessidade.
A situação é mais preocupante em Contagem, na Grande BH, onde a prefeitura decretou nesta terça-feira (7) situação de emergência em saúde pública devido ao alto número de casos de doenças respiratórias nas últimas semanas, afetando principalmente crianças e idosos.
Além do Hospital João Paulo II, outras unidades da rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), como o Hospital Júlia Kubitschek e o Hospital Eduardo de Menezes, já operam com capacidade ampliada e estão preparadas para abrir novos leitos de terapia intensiva conforme a necessidade.
De acordo com informações do estado, o aumento da demanda por casos respiratórios está confirmado, até o momento, apenas no Hospital João Paulo II. As demais unidades seguem sob monitoramento constante e ainda não apresentam crescimento consolidado semelhante.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que antecipou medidas para enfrentar o período crítico, com ampliação de leitos em toda a rede, reforço de equipes médicas e intensificação da campanha de vacinação contra a gripe em todo o estado.
Dados da prefeitura de Belo Horizonte mostram que os atendimentos por doenças respiratórias na capital mais que dobraram entre fevereiro e março. Atualmente, a maior procura por atendimento é de pessoas entre 20 e 39 anos. Como medida preventiva, a campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada na capital e está disponível para os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
Em Contagem, a situação é considerada mais grave. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o município já registrou 21 mortes e 381 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. O decreto de emergência permite ações mais ágeis, como contratações sem licitação, compra de insumos e solicitação de recursos adicionais, visando reforçar a prevenção e ampliar o atendimento nas unidades de urgência e emergência da cidade.
O aumento de casos de doenças respiratórias em Belo Horizonte e Contagem reflete um cenário sazonal esperado, mas que tem se mostrado mais intenso este ano. As autoridades de saúde continuam monitorando a situação e implementando medidas para garantir o atendimento adequado à população, especialmente aos grupos mais vulneráveis como crianças e idosos.