
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
O anúncio de que o deputado federal José Guimarães (PT) assumirá o cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais provocou uma importante movimentação na base governista no Ceará. Ao aceitar um cargo no primeiro escalão federal a menos de seis meses das eleições, o petista fica impossibilitado de concorrer em outubro, saindo assim da disputa por uma das vagas de candidato a senador pela aliança em torno do governador Elmano de Freitas (PT).
Como líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, Guimarães vinha se articulando como um dos principais nomes do PT para a corrida ao Senado. Em dezembro de 2025, o deputado havia declarado que o PT nacional "não abre mão" da sua pré-candidatura. Em outubro passado, durante entrevista ao podcast Jogo Político, do O POVO, o parlamentar manifestou disposição para levar a questão para disputa interna no voto dentro do PT, situação que o governador Elmano afirmou preferir evitar.
Com o anúncio feito no sábado, 11, sobre a nova função de Guimarães, a aliança governista se aproxima de uma definição para as candidaturas ao Senado. Entre os nomes colocados, o senador Cid Gomes (PSB) terá vaga assegurada se aceitar concorrer, conforme já afirmaram o governador Elmano e o ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
No entanto, Cid tem declarado que não disputará reeleição e vem defendendo a candidatura do deputado federal Júnior Mano (PSB). O MDB mantém como prioridade a candidatura do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, que busca retornar à casa legislativa. O governador Elmano de Freitas tem se movimentado para atrair a Federação União Progressista (União Brasil-Progressistas).
Em março deste ano, o chefe do Executivo Estadual se reuniu com membros do grupo que apoiam a base cearense. Um eventual acordo poderia incluir a candidatura ao Senado do deputado federal Moses Rodrigues, presidente estadual do União Brasil. Outras siglas também buscam espaço na disputa. O PSD, com o presidente do partido no Ceará e secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, e o Republicanos, com o presidente estadual Chiquinho Feitosa, apresentam alternativas próprias para a corrida ao Senado.
O ex-secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, também aparece como possível aposta do grupo ligado ao ex-ministro Camilo Santana. No início de 2025, Camilo afirmou que Chagas é "um grande nome" para disputar a vaga.
Na oposição, a corrida para o Senado Federal também tem movimentado o cenário eleitoral para outubro deste ano. No Partido Liberal (PL), o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes, e a vereadora Priscila Costa são as opções na disputa pelas vagas em Brasília. Em 30 de março deste ano, o PL definiu o deputado estadual Alcides Fernandes como o único pré-candidato da sigla ao Senado Federal. Conforme informado na coluna do jornalista Guilherme Gonsalves, do O POVO, Alcides foi escolhido por unanimidade para ser o pré-candidato do partido.
Alcides foi indicado como pré-candidato ao Senado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e recebeu apoio também do ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). No entanto, Priscila Costa afirmou desconhecer decisão do PL pelo apoio ao deputado estadual. Em declaração à coluna Vertical, do jornalista Carlos Mazza, a vereadora reiterou que se mantém na disputa e ressaltou o apoio da direção nacional à sua pré-candidatura.
Priscila foi a mais votada em Fortaleza nas eleições de 2024 e teve sua pré-candidatura lançada em setembro de 2025, em evento com a ex-primeira dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, e com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. No União Brasil, o ex-deputado federal Capitão Wagner é o mais cotado para a disputa, mas também é mencionado o nome do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Já no PSDB, o advogado e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque, colocou-se como possibilidade.
Sem articulação com as demais forças, que planejam lançar Ciro Gomes (PSDB) a governador, o atual senador Eduardo Girão pretende concorrer a governador pelo Novo. O partido tem como pré-candidato ao Senado o general Guilherme Theophilo. A saída de Guimarães da disputa ao Senado, portanto, reconfigura o tabuleiro eleitoral no Ceará, tanto na base governista quanto na oposição, intensificando as articulações para as eleições de outubro.