
Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington - Foto: Shutterstock
O FMI alerta que o conflito no Oriente Médio pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, agravando uma situação já crítica. Durante seu discurso de abertura antes das reuniões de primavera no hemisfério norte, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacou que a instituição prevê uma demanda adicional por assistência dos países membros entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões, dependendo da manutenção do cessar-fogo na região.
"A situação teria sido pior sem políticas sólidas por parte da maioria das economias emergentes... e temos os recursos necessários para enfrentar esse impacto", afirmou Georgieva. No entanto, ela alertou que a forte alta nos preços da energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes representam riscos significativos para a segurança alimentar global.
O aumento de 45 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar elevaria o número total "de pessoas que sofrem de fome para mais de 360 milhões", segundo a diretora do FMI. Ela ressaltou que "mesmo no melhor cenário, não haverá um retorno imediato" à situação anterior ao início das hostilidades.
Na próxima terça-feira (14), o FMI deverá publicar uma versão atualizada do relatório sobre as perspectivas da economia global, considerando os efeitos do conflito. Devido às incertezas, o estudo incluirá diversos cenários, desde uma normalização relativamente rápida da situação geopolítica até um cenário em que os preços do petróleo e do gás permaneçam elevados por muito mais tempo, o que poderia desencadear um novo ciclo inflacionário para as economias globais.
Georgieva admitiu que "mesmo o nosso melhor cenário prevê uma revisão para baixo do crescimento global". Ela explicou que "danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis" por essa situação, e "o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura".
Os efeitos da crise não são uniformes em todas as regiões do planeta. Países importadores de petróleo e nações de baixa renda, que possuem margem fiscal mais limitada, estarão entre os mais afetados. "Considere as nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, sem saber se receberão a energia de que precisam devido a essas graves interrupções", exemplificou a diretora-geral do Fundo.
Um relatório divulgado pelo Banco Mundial na quarta-feira (8) observou que os países do Oriente Médio já pagaram "um custo econômico imediato e severo" devido à guerra. O documento prevê uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em comparação com as projeções anteriores ao conflito, chegando a 1,8% em 2026.
A pesquisa do Banco Mundial também aponta que as guerras causam perdas econômicas grandes e prolongadas nos países afetados — com a produção caindo cerca de 7% em cinco anos, em média, e marcas econômicas que duram mais de uma década.
Segundo o FMI, o custo dos conflitos ativos atingiu níveis mais altos desde o final da Segunda Guerra Mundial, trazendo consequências macroeconômicas com aumentos nos gastos militares, tema que será abordado no próximo relatório "Perspectiva Mundial". Em 2024, mais de 35 países passaram por conflitos em seus territórios e aproximadamente 45% da população mundial vivia em países afetados pelas guerras.
Diante dessa situação crítica, Georgieva afirmou que os governos "podem ajudar de diversas maneiras", mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços. No curto prazo, "é aconselhável aguardar e avaliar" a evolução da situação geopolítica; contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, "os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros", concluiu a diretora do FMI.