
Lula e Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro e Lula seguem sem definir palanques em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, gerando impaciência entre seus aliados.
A indefinição nas articulações políticas tem causado atritos evidentes tanto na direita quanto na esquerda, com diversos pré-candidatos ao governo mineiro ainda sem apoio oficial dos líderes nas pesquisas presidenciais.
Na direita, a disputa mais acirrada envolve o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que está dificultando a aproximação do PL de Flávio Bolsonaro com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Cleitinho lidera as pesquisas e é defendido por uma ala conservadora do PL mineiro, mas Nikolas tem se alinhado politicamente ao governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato à reeleição.
Recentemente, Nikolas e Simões defenderam juntos a concessão de um reajuste anual automático para as forças de segurança. Este aceno ao governador, que ainda não demonstra bom desempenho nas pesquisas, provocou protestos públicos de correligionários como o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), defensor de uma aliança com Cleitinho.
A tensão envolvendo Nikolas chegou a tal ponto que o próprio Flávio Bolsonaro precisou intervir na noite de sexta-feira (24/4) para tentar acalmar os ânimos dentro da base aliada.
No campo da esquerda, a esperança que havia sido renovada com a filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB mineiro está esfriando. A militância gostaria de ver o parlamentar mais engajado politicamente no estado e fazendo oposição à direita.
Pacheco, no entanto, sequer assumiu oficialmente sua pré-candidatura, preferindo organizar-se nos bastidores para criar condições de competitividade tanto dentro do PSB, partido pequeno em Minas, quanto para formar alianças.
Nesse sentido, o senador conseguiu colocar um aliado, o deputado federal Igor Timo, no comando do diretório do União Brasil na cidade de Contagem. Mesmo assim, partidos mais à esquerda, como o PSOL, resistem a apoiar Pacheco, que é o plano principal da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ter um palanque em Minas.
Além de Simões, Cleitinho e Pacheco, outros nomes aparecem como possíveis pré-candidatos ao governo de Minas:
O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) tem participado ativamente de eventos políticos e afirma categoricamente sua intenção de concorrer: "O meu nome vai estar na urna no dia da eleição", confirmou o empresário.
Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, também tem sido mencionado e aparece nas pesquisas eleitorais, embora ainda busque ampliar seu alcance para além da capital mineira.
Pelo PL, Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), aguarda definições enquanto tenta construir sua viabilidade política.
Com menor desempenho nas pesquisas, aparecem também os possíveis pré-candidatos Túlio Lopes (PCB), professor que representa um campo alternativo da esquerda; Maria da Consolação (PSOL), com uma candidatura voltada para pautas sociais e movimentos populares; e Ben Mendes (Missão, ligado ao MBL), advogado e youtuber que tenta transformar sua exposição digital em capital político.
Embora as alianças de Flávio Bolsonaro e Lula estejam travadas em Minas Gerais, deixando seus aliados impacientes, do ponto de vista legal ainda há tempo suficiente para destravar essas articulações.
As escolhas de candidatos de cada partido e as decisões sobre coligações precisam ser tomadas em convenções partidárias, que serão realizadas este ano entre 20 de julho e 5 de agosto. Somente após esse período o eleitor saberá com mais segurança quais nomes estarão disponíveis na urna.