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O Irã declarou nesta quinta-feira que responderá com "ataques longos e dolorosos" a posições dos Estados Unidos caso Washington retome ofensivas militares contra o país. A ameaça complica os planos norte-americanos de formar uma coalizão internacional para reabrir o Estreito de Ormuz, canal marítimo estratégico que permanece bloqueado dois meses após o início do conflito.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, que impede a passagem de cerca de 20% dos suprimentos mundiais de petróleo e gás, tem provocado alta nos preços globais de energia e aumentado os temores de uma desaceleração econômica. O canal segue fechado desde que o Irã o bloqueou em resposta ao cerco naval imposto pelos EUA às exportações de petróleo iraniano, principal fonte de receita do país. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã, entrou em um impasse. Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril, mas o bloqueio do Estreito de Ormuz persiste.
O site de notícias Axios informou na noite de quarta-feira que o presidente Donald Trump deve receber, nesta quinta-feira, um briefing sobre planos de novos ataques militares ao Irã, com o objetivo de tornar Teerã mais flexível nas negociações nucleares. A notícia impulsionou os preços do petróleo, com o contrato de referência do Brent chegando a superar US$ 126 por barril em determinado momento — o nível mais alto desde março de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Posteriormente, o valor recuou para US$ 113 o barril.
Desde o início do conflito, os preços do Brent dobraram, alimentando a inflação e elevando os custos nos postos de combustível a patamares politicamente sensíveis em todo o mundo. Diante da possibilidade de novos ataques, autoridades iranianas foram enfáticas. "Vimos o que aconteceu com suas bases regionais e veremos o mesmo acontecer com seus navios de guerra", declarou o comandante da Força Aeroespacial iraniana, Majid Mousavi, citado pela mídia do país.
Uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária reforçou que qualquer ataque dos EUA, mesmo que limitado, desencadeará "ataques longos e dolorosos" a posições regionais norte-americanas.