
Benjamin Netanyahu
O Estreito de Ormuz tornou-se o centro de uma nova escalada de tensões internacionais nesta segunda-feira (13), quando o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou apoio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra o Irã. A medida, decretada pelo presidente Donald Trump, visa bloquear o acesso a portos iranianos nesta importante rota marítima.
"O Irã violou as normas [das negociações de paz no Paquistão], o presidente Trump decidiu impor um bloqueio naval", declarou Netanyahu durante reunião do conselho de ministros, conforme vídeo divulgado por seu gabinete. "Nós apoiamos, é claro, a postura firme e estamos em constante coordenação com os Estados Unidos", acrescentou o premiê israelense.
As Forças Armadas dos Estados Unidos iniciaram o bloqueio do Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana com autoridades iranianas, que contaram com a mediação do Paquistão. A decisão foi anunciada por Trump nas redes sociais depois que o vice-presidente americano, JD Vance, abandonou as negociações sem acordo.
"O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã", informou o Comando Central dos EUA em comunicado oficial.
Netanyahu explicou que Teerã violou desde o início os termos das negociações e relatou que foi informado por Vance após a conclusão das conversas em Islamabad.
"A ruptura ocorreu por parte dos americanos, que não conseguiram tolerar a flagrante violação, por parte do Irã, dos termos para iniciar negociações", disse Netanyahu ao seu gabinete. "O acordo era que haveria um cessar-fogo e os iranianos abririam imediatamente o estreito. Eles não o fizeram. Os americanos não puderam aceitar isso", afirmou o premiê israelense, detalhando as razões do fracasso diplomático.
Netanyahu também revelou que Vance mencionou como "questão central" para Trump a retirada de todo o urânio enriquecido do Irã e "garantir que não aconteça mais enriquecimento nos próximos anos – inclusive nas próximas décadas –, nenhum enriquecimento dentro do Irã".
"Essa é a prioridade dele e, é claro, também é importante para nós", acrescentou.
Os Estados Unidos anunciaram no domingo (12) que o bloqueio do Estreito de Ormuz começaria às 11h (horário de Brasília) de segunda-feira (13). Esta medida pode cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo iraniano e suas operações militares, uma vez que o estreito é uma rota crucial para o transporte de petróleo.
Em uma mensagem publicada em sua rede social Truth Social, Trump fez uma advertência direta: "Aviso: se algum desses navios se aproximar do nosso bloqueio, será eliminado imediatamente". O presidente americano ainda afirmou que a Marinha iraniana foi "aniquilada".
Em resposta ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, um porta-voz das Forças Armadas do Irã classificou a ação norte-americana como "ilegal" e equivalente à "pirataria". Segundo o porta-voz, o Irã implementará um mecanismo "permanente" para controlar o estreito, advertindo que nenhum porto do Golfo Pérsico ou do Golfo de Omã ficará seguro se os iranianos estiverem ameaçados.
O Estreito de Ormuz representa uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo global. O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, com apoio de Israel, marca uma nova fase no conflito com o Irã, podendo ter sérias implicações para a economia global e a estabilidade regional no Oriente Médio.