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Cole Allen, um professor de 31 anos preso como responsável pelo ataque durante o jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca em Washington, enviou um manifesto a familiares dez minutos antes de abrir fogo no evento. No documento, divulgado pelo jornal "The New York Post", Allen criticou severamente o governo de Donald Trump e identificou membros da administração federal como seus alvos principais. A autenticidade do texto, que em algumas partes se assemelha a uma carta de despedida, ainda não foi confirmada pelas autoridades americanas.
O manifesto começa com Cole Allen pedindo desculpas a colegas, alunos, familiares e pessoas próximas por ter abusado de sua confiança nos dias que antecederam o ataque. O professor menciona as justificativas falsas que forneceu para se ausentar de compromissos enquanto planejava o atentado e viajava para Washington, reconhecendo que sua atitude poderia surpreender algumas pessoas.
No documento, Cole Allen detalha seus objetivos e motivações: * Identifica claramente integrantes da administração Trump como alvos prioritários, estabelecendo que funcionários do governo seriam visados "do cargo mais alto ao mais baixo". * Esclarece que convidados comuns e funcionários do hotel não eram alvos intencionais, embora admitisse a possibilidade de atingir outras pessoas enquanto tentava se aproximar dos membros do governo. * Tenta justificar o atentado como um "dever" cívico diante do que considerava serem malfeitos do governo Trump, referindo-se ao presidente americano com termos pejorativos como "pedófilo, estuprador e traidor". Em um trecho do manifesto, Cole Allen explica sua motivação: "Quanto ao motivo de eu ter feito tudo isso: sou cidadão dos Estados Unidos da América. As ações dos meus representantes refletem em mim. Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes. Esta é a primeira oportunidade real que tive para fazer algo a respeito. [...] Peço desculpas a todos que foram abusados e/ou assassinados antes disso, a todos que sofreram antes que eu pudesse tentar isso, a todos que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso." O professor também faz comentários sobre a segurança do evento realizado no hotel Washington Hilton. Cole Allen expressa surpresa com o esquema de proteção, que classificou como "maluco", mencionando que esperava encontrar mais câmeras, agentes armados e detectores de metal. Ele afirma ter percebido "arrogância" ao entrar no local. Na parte final do documento, Cole Allen agradece à família, amigos, colegas, alunos e conhecidos, sugerindo que provavelmente não teria outra oportunidade de conversar com essas pessoas. "Muito obrigado a todos por tudo", escreveu. O manifesto termina com uma descrição do próprio mal-estar de Cole Allen. Ele confessa que fazer "algo assim era horrível" e expressa sentimentos de angústia: "É horrível. Dá vontade de vomitar; dá vontade de chorar por todas as coisas que eu queria fazer e nunca vou fazer, por todas as pessoas cuja confiança foi traída; sinto raiva só de pensar em tudo o que este governo fez." Conclui com um breve "Não recomendo". A divulgação deste manifesto traz novas perspectivas sobre as motivações do ataque, embora as autoridades americanas ainda estejam investigando o caso e não tenham confirmado oficialmente a autenticidade do documento.