
Donald Trump
A Casa Branca lançou duras críticas ao Brasil em um recente relatório sobre barreiras comerciais. O documento, elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), dedica oito páginas inteiras a apontar o que considera obstáculos nas relações comerciais com o Brasil, incluindo o sistema Pix, a regulação de redes sociais e a chamada "taxa das blusinhas".
O relatório do USTR, publicado anualmente para identificar barreiras ao comércio internacional, demonstra preocupação com diversas políticas brasileiras que, segundo a visão americana, prejudicam o livre comércio entre os países.
Entre os principais alvos das críticas estão:
* O sistema Pix, criado pelo Banco Central brasileiro, que revolucionou as transferências bancárias no país. A Casa Branca questiona o modelo por supostamente criar barreiras para empresas estrangeiras de pagamento que desejam operar no mercado brasileiro.
* A regulação das redes sociais, especialmente o PL das Fake News, que é visto pelos americanos como um potencial obstáculo para as empresas de tecnologia dos EUA que atuam no Brasil. O relatório expressa preocupação com o que considera "regulação excessiva" que poderia limitar a operação de plataformas como Facebook, Twitter e Google.
* A chamada "taxa das blusinhas", referente à tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, que foi implementada pelo governo brasileiro. A medida é criticada por supostamente dificultar o acesso de produtos americanos ao mercado consumidor brasileiro.
* O projeto de lei que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em relação aos mercados digitais, visto como uma ameaça potencial às empresas de tecnologia americanas.
Além desses pontos específicos, o relatório também ataca as altas tarifas de importação praticadas pelo Brasil, consideradas entre as mais elevadas do mundo para diversos setores. A Casa Branca argumenta que essas tarifas criam uma barreira significativa para produtos americanos no mercado brasileiro.
O documento também expressa preocupação com o que chama de "protecionismo digital" brasileiro, citando diversas políticas que, segundo os EUA, favorecem empresas locais em detrimento de companhias estrangeiras, especialmente no setor de tecnologia e serviços financeiros.
As críticas surgem em um momento delicado das relações Brasil-EUA, quando os dois países buscam fortalecer laços comerciais, mas enfrentam divergências em diversos temas econômicos e regulatórios. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo do relatório.
Especialistas em relações internacionais apontam que esse tipo de relatório faz parte da estratégia comercial americana e serve como instrumento de pressão para negociações futuras. No entanto, o volume de críticas e o detalhamento apresentado nas oito páginas dedicadas ao Brasil indicam um nível elevado de preocupação por parte dos EUA com as políticas comerciais brasileiras atuais.
O relatório do USTR sobre barreiras comerciais é publicado anualmente e serve como um guia para a política comercial americana, identificando obstáculos que os Estados Unidos pretendem negociar ou contestar junto a seus parceiros comerciais ao redor do mundo.