Queda da patente da semaglutida não garante redução imediata nos preços do medicamento devido a entraves regulatórios e industriais

Fonte: Flickr/Instagram
A queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, ocorre nesta sexta-feira no Brasil. No entanto, a expectativa de uma versão mais acessível do medicamento emagrecedor enfrenta diversos obstáculos que podem atrasar sua chegada ao mercado e limitar a redução de preços.
O cenário atual apresenta três principais desafios para a produção do “Ozempic brasileiro”:
* A Anvisa analisa 14 pedidos para produção e importação de semaglutida
* Apenas três autorizações serão concedidas por semestre, estendendo o processo até 2027
* A EMS, maior farmacêutica do país, prevê início das vendas apenas no segundo semestre
* O Itaú BBA projeta lançamento para agosto
* As versões brasileiras serão similares, não genéricas
* O desconto obrigatório será de apenas 20%, contra 35% dos genéricos
* Preço estimado inicial de R$ 1.039,76, considerando valor atual do Ozempic de R$ 1.299,70
* Estudo do Itaú BBA prevê redução de até 50% em cinco anos
*
* Fábricas exigem investimentos bilionários
* Necessidade de controles rigorosos de qualidade e esterilidade
* Poucos laboratórios brasileiros têm capacidade técnica
* Custos elevados com logística refrigerada e força de vendas
A Novo Nordisk, criadora do Ozempic, planeja fortalecer sua posição no Brasil, seu oitavo maior mercado global, com a construção de uma fábrica em Montes Claros, Minas Gerais, com investimento de R$ 6,4 bilhões.
O mercado das canetas emagrecedoras dobrou seu faturamento no último ano, movimentando cerca de R$ 12 bilhões no Brasil. A projeção do Itaú BBA indica que o setor deve atingir R$ 24,6 bilhões em 2026 e R$ 50,8 bilhões até 2030.
A competição no setor deve se intensificar não apenas com as versões nacionais, mas também com novos medicamentos mais potentes e apresentações orais, como o Rybelsus, que já representa 20% das vendas de semaglutida da Novo Nordisk no país.
O cenário também é marcado pela preocupação com o mercado ilegal, que tem se expandido através de importações irregulares e manipulação em larga escala, práticas já sob investigação da Polícia Federal.