Novas denúncias de abuso sexual contra o desembargador Magid Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, vieram à tona após polêmica envolvendo sua decisão em um caso de estupro de vulnerável. Múltiplas vítimas, incluindo ex-funcionárias e um familiar, relataram casos de assédio e abuso sexual cometidos pelo magistrado ao longo dos anos.
As acusações ganharam visibilidade após Magid Láuar participar de uma decisão que absolveu um homem acusado de estuprar uma adolescente de 12 anos. Desde então, cinco pessoas apresentaram denúncias ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
* Uma ex-funcionária do gabinete relatou ter sofrido abuso sexual em 2009, quando Magid Láuar ainda era juiz em Betim (MG). Segundo seu relato: “Eu estava com uma calça jeans e ele enfiou a mão. Primeiro por trás, só que eu reagi. Aí, ele veio e enfiou a mão lá na frente. E eu fiquei muito assustada na hora e eu falei: abre a porta que eu quero sair.”
* Uma ex-estagiária, que também foi aluna do magistrado na faculdade, denunciou ter sido beijada à força durante um almoço quando tinha 20 anos. “Em um determinado, de forma inesperada, ele veio e me deu um beijo na boca. Sem o meu consentimento. Eu me senti invadida, me senti com nojo, constrangida”, relatou.
* Saulo Láuar, primo do desembargador, revelou ter sofrido abuso aos 14 anos, quando trabalhava como office-boy para o magistrado. Ele descreveu uma situação em que foi levado à casa do desembargador e foi assediado enquanto um filme pornográfico era exibido na televisão.
O caso que trouxe estas denúncias à tona envolveu a absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos. Magid Láuar, como relator, votou pela absolvição alegando haver um “relacionamento amoroso sem violência”. Após a repercussão negativa e as denúncias ao CNJ, o desembargador voltou atrás em sua decisão de forma monocrática.
Como consequência das denúncias, o CNJ determinou o afastamento do desembargador Magid Láuar para não comprometer as investigações. A Polícia Federal realizou buscas em seu gabinete no TJMG, e embora algumas denúncias antigas já tenham prescrito, há fatos mais recentes sob investigação. O desembargador não se manifestou sobre as acusações.