Categoria planeja paralisação em resposta ao aumento do preço do diesel. Movimento tem apoio de autônomos e celetistas em todo o país

Caminhoneiros planejam paralisação contra aumento do diesel
Caminhoneiros de diversas regiões do Brasil estão organizando uma paralisação nacional em resposta à crescente alta do preço do diesel. O movimento, que conta com apoio tanto de motoristas autônomos quanto celetistas, deve se concretizar caso o governo não apresente medidas efetivas para conter os custos do setor.
Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), declarou ao R7 que a decisão está sendo construída em assembleias e reflete as dificuldades enfrentadas pela categoria. “Fizemos assembleia no Porto de Santos com a categoria. A maioria deliberou que, se não parar agora, vamos cruzar os braços. A conta não fecha”, afirmou.
* O movimento tem alcance nacional e conta com apoio de aproximadamente 95% do setor, incluindo manifestações nos portos de Santos e Itajaí
* A categoria critica especialmente o impacto de fatores internacionais sobre o preço dos combustíveis no Brasil
* A orientação inicial é realizar a paralisação sem bloqueios em rodovias para evitar penalidades
* O Brasil possui cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e 750 mil motoristas celetistas, evidenciando o potencial impacto da paralisação
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística manifestou apoio ao movimento, que retoma pautas históricas da greve de 2018. Entre as principais reivindicações estão:
* Cumprimento do piso mínimo do frete
* Retorno da aposentadoria especial após 25 anos de contribuição
* Retomada da distribuição de combustíveis pela Petrobras
* Aplicação de punições a empresas que descumprem a tabela de frete
Segundo Landim, as tentativas de negociação com o governo desde 2018 não resultaram em medidas efetivas. “Precisa, de fato, ter algo concreto para a categoria, senão vai parar todo mundo. O que o governo fez não teve relevância. Não tem condições de manter o trabalho”, destacou.
Recentemente, representantes dos caminhoneiros se reuniram com integrantes do governo na Casa Civil para discutir a Medida Provisória sobre a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel. No entanto, a categoria considera que as iniciativas apresentadas são insuficientes para resolver o problema dos custos no setor.
A Abrava, que representa cerca de 35 mil caminhoneiros, alerta que uma eventual paralisação pode afetar significativamente o transporte de cargas e o abastecimento em diferentes regiões do país. “Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria”, informou a categoria em nota.