Em horas, jornada diminuiria de 44 para 40 horas

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, anunciou que o governo federal não hesitará em enviar um projeto de lei em regime de urgência caso o Congresso Nacional demonstre resistência em discutir o fim da escala de trabalho 6×1.
Durante sua participação no programa “Bom Dia, Ministro” da EBC, Boulos detalhou que o presidente Lula já tomou uma decisão firme sobre o assunto. “Lula já tomou uma decisão. Estamos respeitando o trâmite do Legislativo, como tem de ser. Mas se terminar março e percebermos que está tendo uma estratégia de enrolação no Congresso, Lula vai entrar com projeto de lei em regime de urgência e aí terá de votar em 45 dias”, afirmou.
O projeto do governo prevê mudanças significativas nas relações trabalhistas:
* Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais
* Extinção do regime de trabalho 6×1
* Implementação do sistema 5×2
* Manutenção dos salários atuais, sem reduções
Boulos denunciou a existência de uma “operação em curso contra o fim da 6×1”, apontando como principais opositores os “lobbies empresariais” e partidos como União Brasil, Republicanos e outros grupos da direita bolsonarista, mesmo alguns destes tendo representação ministerial no governo atual.
O ministro defendeu a medida como um “projeto da família brasileira”, argumentando que permitirá mais tempo de convívio familiar. Ele questionou a manutenção da mesma carga horária de trabalho desde 1988, apesar dos avanços tecnológicos e ganhos de produtividade registrados desde então.
“Toda vez que fala em direito do trabalhador, vai ter reação visceral dos grandes privilegiados, patrões, empresários, do andar de cima”, declarou Boulos, comparando as resistências atuais às reações históricas contra a Lei Áurea. O ministro criticou ainda o posicionamento de entidades como CNI, CNA e CNC, afirmando que “esses são os mesmos que levantam a voz para falar que defendem a família”.
Em sua conclusão, Boulos reforçou o compromisso do governo em aprovar o fim da escala 6×1 até o final do ano, demonstrando que o tema é uma prioridade para o Palácio do Planalto.