O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, protocolou uma notícia-crime junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A ação alega prática de racismo religioso durante o Carnaval 2026, em desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A representação tem como alvos principais três dirigentes da agremiação e questiona especificamente uma ala do desfile que retratava evangélicos como “conservadores enlatados”, o que, segundo o governador, configuraria discriminação religiosa.
* O documento apresentado ao MPRJ aponta como alvos o presidente Wallace Alves Palhares, o presidente de honra Anderson José Rodrigues e o diretor carnavalesco Tiago Martins.
* A ação baseia-se no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata da prática, indução ou incitação à discriminação por religião, com agravante por ter ocorrido em evento público de natureza artística.
* O governador solicita a abertura de investigação para apurar a eventual prática de racismo religioso e a responsabilização dos envolvidos.
Antes mesmo de protocolar a ação, Zema já havia manifestado sua insatisfação nas redes sociais, classificando o desfile como “constrangedor” e “inaceitável”. Em publicação realizada na segunda-feira (16), o governador afirmou: “Chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do Rio. Levarei esse crime para a justiça”.
A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que acabou sendo rebaixada no Carnaval carioca deste ano, ainda não se manifestou sobre a notícia-crime apresentada pelo governador mineiro.
O caso se insere em um contexto mais amplo de debate político, envolvendo apoiadores e opositores do governo federal, tendo como pano de fundo a homenagem ao presidente Lula durante o desfile da agremiação na Marquês de Sapucaí.