Presidente do Conselho da Copasa renuncia após denúncias de esquema de propina

Presidente do Conselho da Copasa renuncia após denúncias de esquema de propina

Acusações citam delações que indicam movimentação de R$ 63 milhões entre 2010 e 2018 e repercutem em meio ao debate sobre a privatização da estatal em Minas Gerais

Hamilton Amadeo, presidente do Conselho de Administração da Copasa, apresentou sua renúncia ao cargo na noite de quinta-feira (12). A decisão ocorre em meio a revelações sobre um suposto esquema de pagamento de propinas durante seu período como CEO da Aegea, empresa privada do setor de saneamento.

Segundo reportagem do Portal UOL, Hamilton Amadeo teria operado um esquema milionário de pagamento de propinas a agentes políticos para garantir contratos de concessão de saneamento básico. As informações são baseadas em delações premiadas que apontam uma movimentação de aproximadamente R$ 63 milhões em propinas entre 2010 e 2018.

O esquema, de acordo com as investigações, operava através de diferentes mecanismos:

* Emissão de notas fiscais frias para justificar pagamentos irregulares
* Elaboração de contratos fictícios de consultoria e locação de equipamentos
* Oferecimento de vantagens indiretas, como aquisição de imóveis e veículos de luxo para políticos
* Manipulação de licitações para beneficiar a Aegea em diversos estados

As operações irregulares teriam ocorrido em múltiplos estados brasileiros, incluindo Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo e Rondônia.

Hamilton Amadeo assumiu posição no Conselho de Administração da Copasa em 2022, tendo papel fundamental durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia foi aprovada em dezembro do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), através do Projeto de Lei 4.380/2025, proposto pelo governador Romeu Zema (Novo).

O processo de privatização da Copasa foi marcado por intensos debates, incluindo a controversa aprovação da PEC 24/2023, que eliminou a necessidade de referendo popular para autorizar a venda da empresa. A tramitação ocorreu de forma acelerada, com uma histórica reunião realizada durante a madrugada no plenário da Assembleia.

A privatização da companhia faz parte de um conjunto mais amplo de medidas do governo Zema, que inclui também a privatização da Gasmig e da Cemig, alinhadas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

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