O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do inquérito que investigava a ex-deputada Carla Zambelli por suspeita de coação e obstrução de investigação envolvendo organização criminosa. A decisão foi tomada após manifestação da Procuradoria Geral da República (PGR), que apontou falta de elementos suficientes para transformar a apuração em denúncia criminal.
A investigação teve início após declarações públicas de Carla Zambelli, nas quais afirmou que atuaria na Europa para pressionar autoridades estrangeiras contra decisões do Supremo. A suspeita era de que essas ações poderiam configurar tentativa de constranger o Judiciário e interferir em investigações em curso.
Durante o processo investigativo, foram identificados os seguintes pontos principais:
* O Banco Central, a pedido de Moraes, analisou transferências via Pix recebidas pela ex-parlamentar nos 30 dias anteriores à decisão. A Polícia Federal constatou que os valores eram doações pulverizadas, geralmente menores que R$ 100, relacionadas a uma campanha para financiar sua permanência no exterior.
* O relatório da PF concluiu que, apesar de Carla Zambelli ter manifestado interesse em replicar na Europa estratégias similares às do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, não foi comprovada articulação efetiva para influenciar autoridades estrangeiras ou interferir em processos brasileiros.
* A PGR avaliou que os indícios iniciais não se converteram em provas suficientes para sustentar uma nova ação penal, solicitando assim o arquivamento do caso.
Na decisão de arquivamento, Moraes enfatizou que cabe ao Ministério Público a decisão sobre denúncia ou encerramento da investigação, ficando o Judiciário responsável apenas pelo controle de legalidade. O ministro ressaltou que o caso pode ser reaberto mediante surgimento de novas provas.
Vale ressaltar que este arquivamento não interfere na atual situação jurídica de Carla Zambelli, que permanece condenada a dez anos de prisão, com perda do mandato e obrigação de pagamento de indenização no caso da invasão ao sistema do CNJ, sentença que transitou em julgado em 2025. A ex-deputada encontra-se detida na Itália desde julho do mesmo ano, aguardando análise do pedido de extradição apresentado pelo Brasil.