Justiça instaura procedimento para apurar conduta de delegado no caso Orelha

Justiça instaura procedimento para apurar conduta de delegado no caso Orelha

Ministério Público avalia possível abertura de inquérito civil após representações contra Ulisses Gabriel; delegado afirma não ter sido notificado e nega irregularidades em coletiva de imprensa

A Justiça de Santa Catarina iniciou nesta terça-feira (10) um procedimento preparatório para investigar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, no caso do cão Orelha. O procedimento foi instaurado pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital após receber diversas representações contra a conduta do delegado.

O Ministério Público irá avaliar a necessidade de instauração de inquérito civil para possíveis ações judiciais. Em resposta, o delegado-geral afirmou não ter sido notificado sobre o procedimento e declarou estar “absolutamente tranquilo” quanto à atuação do MP.

Principais Desdobramentos do Caso

* O caso Orelha ganhou repercussão nacional devido à crueldade do crime, onde o cão foi morto após sofrer uma pancada na cabeça por chute ou objeto rígido na madrugada de 4 de janeiro
* Durante as investigações, o delegado Ulisses Gabriel anunciou a adoção de outro cão, chamado Caramelo, que também havia sido vítima de agressão por adolescentes
* O MP solicitou a exumação do corpo do cão Orelha para realização de perícia direta e requereu novas investigações sobre o caso
* As promotorias envolvidas destacaram a importância de esclarecimentos específicos para apurar possível coação durante o processo

“Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação”, declarou o delegado em nota.

O delegado ainda acrescentou: “As informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público”.

Segundo as investigações da Polícia Civil, um adolescente suspeito foi flagrado saindo de casa às 5h25 do dia quatro e retornando às 5h58 com uma amiga, período em que a agressão teria acontecido. O garoto teria cometido outras infrações na Praia Brava antes de agredir Orelha, que veio a óbito no dia seguinte após ser resgatado por populares.

O delegado-geral se colocou à disposição do Ministério Público para prestar os esclarecimentos necessários, ressaltando que existem informações sobre representações no MP apresentadas por movimentos políticos e com motivações ideológicas contra a Polícia Civil de Santa Catarina.

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