O Irã e os Estados Unidos iniciaram nesta sexta-feira (6/02) negociações históricas em Mascate, capital de Omã, para discutir o programa nuclear iraniano e outras questões sensíveis. O encontro marca o primeiro diálogo direto entre as duas nações desde que os EUA se juntaram à guerra de Israel contra o Irã em junho de 2025.
Em um contexto de crescentes tensões internacionais, o encontro se desenvolve sob os seguintes aspectos principais:
* O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou antes da reunião que o Irã está “disposto a defender a soberania e a segurança nacional do país diante de qualquer exigência excessiva ou aventura” por parte dos Estados Unidos. Araghchi enfatizou na rede social X que “a igualdade, o respeito mútuo e o interesse recíproco não são retórica, são imprescindíveis e constituem os pilares de um acordo duradouro”.
* A delegação americana, liderada por Steve Witkoff, emissário do presidente Donald Trump, busca uma “capacidade nuclear zero” para o Irã, conforme antecipado pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
* Em meio às negociações, os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln à região, após a repressão aos protestos no Irã no início de janeiro, que resultou em milhares de mortes segundo grupos de direitos humanos.
O presidente Trump tem alternado entre ameaças militares e sinais de disposição para o diálogo. “Eles não querem que os ataquemos. Temos uma grande frota se dirigindo para lá”, declarou, referindo-se ao grupo do porta-aviões.
A China manifestou seu apoio ao Irã “na defesa de sua soberania, segurança, dignidade nacional e direitos e interesses legítimos”, expressando oposição ao que classificou como “intimidação unilateral”.
O general Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, advertiu que o país tem acesso “fácil” às bases americanas na região, afirmando que “cabe ao presidente dos Estados Unidos escolher entre conciliação ou guerra”.
Segundo o jornal The New York Times, citando fontes iranianas anônimas, os Estados Unidos concordaram em conduzir as conversas sem a presença de líderes regionais, focando na questão nuclear, mísseis e grupos militantes, visando estabelecer um marco para um possível acordo.
Em meio às tensões, a Guarda Revolucionária do Irã apreendeu dois petroleiros com tripulações estrangeiras nas águas do Golfo por “contrabando de combustível”, conforme informado pela agência de notícias Tasnim.
Líderes internacionais têm manifestado preocupação com a situação. O chanceler alemão Friedrich Merz urgiu a liderança iraniana a “entrar realmente nas conversas”, expressando “grande temor de uma escalada militar na região”. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan indicou que as partes parecem buscar uma solução diplomática, enfatizando que o conflito “não é a solução”.