O IBGE divulgou nesta terça-feira (3) dados que revelam uma significativa desaceleração na produção industrial brasileira em 2025, registrando crescimento de apenas 0,6%, em comparação com 3,1% em 2024.
A indústria brasileira demonstrou perda consistente de força desde o último trimestre de 2024, culminando no primeiro resultado trimestral negativo do período. O mês de dezembro apresentou a queda mais expressiva dos últimos 17 meses.
* O setor de transformação foi o principal responsável pela desaceleração industrial
* O setor extrativo, especialmente impulsionado pela produção de petróleo, ajudou a amenizar a queda
* A produção de alimentos também contribuiu positivamente, evitando uma desaceleração ainda maior
O cenário atual apresenta desafios significativos para as empresas do setor. Como exemplo, uma indústria de pescados que atende restaurantes e hotéis enfrenta a necessidade de modernização tecnológica e expansão produtiva. Ricardo Cavaliere, diretor-geral da Master Mares, afirma: “Nós vamos investir em maquinário, que é um investimento pesado, para poder ter um crescimento maior ainda”.
Jonathas Goulart, economista-chefe da Firjan, destaca a sensibilidade do setor à taxa de juros e enfatiza a importância do equilíbrio das contas públicas: “Quando a gente pensa no curto prazo, para resolver essa questão, a gente fala simplesmente: reduz a taxa de juros. Mas para que a taxa de juros seja reduzida de uma maneira sustentável, a gente precisa ter um equilíbrio macroeconômico. E quando a gente fala equilíbrio macroeconômico é, principalmente, equilíbrio das contas públicas”.
O economista ainda ressalta que o desequilíbrio entre política monetária e fiscal afeta diretamente o setor industrial: “Toda vez que o governo gasta mais, ele estimula o consumo. Então, é como se tivesse o Banco Central puxando a corda para um lado e o governo, gastando mais, puxando a corda para o outro lado. Então, precisa ter esse equilíbrio macroeconômico porque, quando o Banco Central aumenta os juros, ele não reduz só o consumo, ele reduz também o investimento. E por isso a indústria sofre mais”.