O caso do financista Jeffrey Epstein ganhou novos contornos após deputados americanos acusarem o governo de ocultar indevidamente a identidade de seis possíveis cúmplices em documentos relacionados ao caso. A denúncia surge após análise de arquivos sem censura por parte do republicano Thomas Massie e do democrata Ro Khanna.
Os documentos liberados pelo Departamento de Justiça em janeiro estariam violando a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada no ano passado. Entre os nomes revelados estão figuras proeminentes do mundo empresarial e pessoas de perfil desconhecido.
* Leslie Wexner, empresário americano proprietário das marcas Victoria”s Secret e Abercrombie & Fitch, foi identificado como um dos envolvidos
* Sultan Ahmed bin Sulayem, CEO da empresa de logística DP World e empresário dos Emirados Árabes, também teve seu nome revelado
* Quatro outros indivíduos foram identificados: Salvatore Nuara, Zurab Mikeladze, Leonic Leonov e Nicola Caputo
A Comissão de Supervisão da Câmara recebeu acesso às versões sem cortes de aproximadamente 3 milhões de páginas de documentos. No entanto, as condições impostas para análise são extremamente restritivas, com apenas quatro computadores disponíveis em uma sala onde celulares e assessores são proibidos.
“Se encontramos esses seis nomes em duas horas, imagine quantos homens eles estão acobertando nesses 3 milhões de arquivos”, declarou Khanna, questionando: “Por que eles estão protegendo esses ricos e poderosos?”
O democrata Jamie Raskin, que também teve acesso aos documentos não censurados, revelou que o nome de Donald Trump foi omitido em diversos trechos onde não deveria, incluindo correspondências de 2009 entre advogados sobre visitas de Epstein a Mar-a-Lago. Segundo Raskin, em entrevista ao Axios, o nome de Trump aparece “mais de um milhão de vezes” nos arquivos não editados.
Uma troca de e-mails de 2009 entre Epstein e Ghislaine Maxwell menciona uma ligação telefônica com Trump, aparentemente contradizendo declarações anteriores do ex-presidente sobre ter encerrado relações com Epstein em 2004.