Uma nova pesquisa divulgada pela Conferência de Segurança de Munique revela que os brasileiros estão entre as populações que mais consideram as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como benéficas para o mundo. Aproximadamente um terço dos brasileiros compartilha essa visão, embora metade ainda mantenha uma perspectiva negativa.
O levantamento, realizado em novembro de 2025, abrangeu países do G7 e nações emergentes, revelando diferentes percepções sobre o impacto das políticas de Trump:
* O Brasil aparece em terceiro lugar entre os países que mais aprovam as políticas globais de Trump, com 34% de concordância, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (37%) e da Índia (36%)
* Metade dos brasileiros entrevistados (50%) discorda que as políticas de Trump sejam positivas para o mundo, percentual igual ao dos americanos
* Em relação aos impactos específicos para o Brasil, 30% dos entrevistados consideram as políticas de Trump benéficas para o país, enquanto 53% discordam dessa afirmação
O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos enfrentou diversos desafios durante o último ano. Trump iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025 com uma postura hostil, declarando que “não precisava do Brasil”. A situação agravou-se com:
* Imposição de elevadas tarifas alfandegárias contra produtos brasileiros
* Interferências em políticas democráticas internas do Brasil
* Sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, posteriormente retiradas
* Apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro
A pesquisa também revelou preocupações significativas em outros países, especialmente entre aliados tradicionais:
* O Canadá apresenta o maior índice de rejeição, com 77% discordando que as políticas de Trump sejam benéficas para seu país
* Alemanha e França demonstram forte preocupação com os efeitos do governo Trump
* A Europa enfrenta desafios com o gradual afastamento dos Estados Unidos em questões de segurança
O relatório da Conferência alerta sobre o surgimento de “homens demolidores”, líderes que preferem desmantelar instituições a reformá-las, citando Trump como exemplo dessa tendência que pode representar um dos movimentos mais significativos do século 21.
A próxima edição da Conferência de Segurança de Munique, programada para 13 a 15 de fevereiro, acontecerá em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e a Europa, especialmente após recentes ameaças de Trump contra a Groenlândia.