Especialista em finanças e negócios aborda trajetória, criação do método ambo e os desafios de unir identidade, estratégia e propósito no ambiente corporativo
Ela sempre se lembra muito mais do que eu de como nos conhecemos, do que eu falei, e de como e por que começamos a trabalhar juntas.
Ela é puro significado.
Acompanhei Mbaima em diferentes fases, processos e mudanças, e sempre a observei com muito cuidado e carinho. Ela é um ser humano diferente de tudo o que já conheci.
Inteligentíssima, com conhecimento profundo sobre finanças e negócios, buscou ajuda sempre que se sentiu “sem conhecimento”. O que mais admiro nela é a forma como sorri, mesmo em meio ao caos e às adversidades.
Com muito carinho e gratidão, compartilho com vocês uma entrevista para lá de profunda com Mbaima. Acredito que, ao lerem, vocês sentirão o mesmo que eu sinto por ela.
Vamos lá, Mbaima:
Sua marca pessoal carrega ancestralidade, simbologia e posicionamento. Em que momento você entendeu que sua história não era apenas biográfica, mas também estratégica?
Bia, foi um processo que começou contigo na criação da minha primeira marca e aliado a isso, meu processo de psicanálise e coaching. Meados de 2021/2022.
O que, para você, significa “envolvimento ancestral” no contexto de identidade e presença profissional?
Envolver é se voltar a algo, um movimento para dentro, contrário a desenvolver. Considerando que somos natureza humana que se relaciona junto do meio ambiente, devemos nos perceber integrantes desse meio e voltar às raízes naturais do ser humano. Envolvimento ancestral é retornar à essência, à forma de sentirmos e percebermos que somos espíritos materializados, somos como árvores, como animais, somos feitos de natureza não humana.Esse é o princípio da mudança, da transformação humana para continuar existindo na Terra. Para obter cura e boa saúde espiritual, mental e física.A partir deste princípio, as decisões serão diferentes.
Sua atuação atravessa cultura, empresa e sociedade. Quais riscos existem quando empresas tentam se apropriar de narrativas ancestrais sem profundidade?
Vejo um risco que abrange outros: enganar consumidores, steakholders, pessoas. E dentro desta enganação, provocar danos financeiros, mentais, emocionais, físicos de pessoas e do meio ambiente.
Sua autoridade não se apoia apenas em títulos, mas em presença e linguagem. Como isso foi sendo construído ao longo do tempo?
Com gestão de marca, objetivos empresariais definidos e principalmente com guiança da minha ancestralidade.
Em algum momento você sentiu a pressão para “traduzir” sua mensagem para caber em formatos corporativos tradicionais?
Sim. Muitas vezes no início da implantação da metodologia ambo (árvore) que hoje é método. Embora soubesse que ao introduzir algo único e novo no mercado levasse tempo para gerar segurança de espectadores e de consumidores, bem como gerar receita de vendas adequada, eu vivi momentos de ansiedade, de medo, de angústia, de dúvidas e tudo se sobrecarregou porque vivia o período de violências domésticas com o ex-marido.
O que você escolheu preservar, mesmo quando isso significou não ser compreendida por todos?
Minha fé.
Como nasce a ambo e qual lacuna ela vem preencher no mercado e nas organizações?
ambo nasceu primeiro com nome na língua portuguesa, árvore, em 2022. Eu precisava encontrar uma forma de mudar as pessoas para conseguir mudar o futuro e evitar que elas, as empresárias cometessem os mesmos erros nas decisões tomadas por lideranças de empresas centenárias que hoje, precisam se readequar. Porque elas tinham sonhos e da forma que guiavam a vida e os negócios, não iriam sentir-se realizadas.
Quais transformações você observa quando organizações passam a olhar diversidade, equidade e inclusão para além de indicadores?
Reparação histórica de sociedade, otimização dos efeitos futuros para redução da emergência climática, cura, leveza, autoamor elevado, aceleração econômica e financeira.
O que diferencia uma empresa que “fala” sobre diversidade de uma empresa que está realmente envolvida?
Os resultados financeiros e não financeiros. A reputação da marca. A continuidade da empresa.
Você comunica muito pelo que diz, mas também pelo que escolhe silenciar. Qual é o papel do silêncio na construção de marca pessoal?
As raízes. Não foi sempre assim. Aprendi após alguns anos de treinamento em gestão de marca, treinamentos e formações enquanto conselheira e com a experiência na minha própria empresa que preciso ser leal e fiel ao quê decidi comunicar, pois há objetivos estratégicos por trás. Aprendi contigo inclusive que não preciso falar sobre tudo para ser notada. É muito sobre comunicação sob uma cosmovisão indígena também.
Em que ciclo você sente que está agora, enquanto mulher, líder e marca?
Estou em um ciclo de amadurecimento. Após identificar todas minhas raízes de antepassados, me senti mais eu. O autoconhecimento é um poder transformador e eu vivo mergulhando em mim para crescer. Um ponto muito importante que realinhou-me ao meu destino aqui, me fez perceber em mim tantas mudanças, forma de pensar, de comportamento, de sentimentos, foi minha iniciação para Oxum (orixá), nas tradições do candomblé. Minha vida pode ser dividida em antes e depois de MBAIMA MONTAY e antes e depois de Oxum viva em mim. Toda experiência espiritual corrobora para meu crescimento enquanto líder e também na minha marca.
Qual foi o meu papel durante a sua jornada? O que marcou para você?
Bia, você me apresentou o branding. Sua presença trouxe ampliação, parcerias, bons negócios, criatividade, cosmovisão não apenas para a minha marca, mas também para mim. O que marcou e marca é a sua metodologia e a forma que tem de se relacionar com as pessoas. É perene.TENUAHI (gratidão)
Qual mensagem ou ensinamento você pode compartilhar com pessoas que tentam construir marca pessoal?
Precisam mergulhar em si primeiro. Entender o destino na Terra, a missão de vida. A partir daí, buscar uma pessoa que saiba escutar e orientar para aquilo que é dela, pois há quem guie para si. É muito importante observar o comportamento e os valores de quem vai escolher como guia, se não forem correlatos, a marca pode até ser criada, mas se tornará insustentável.
Se sua marca pessoal fosse definida não por palavras, mas por um princípio, qual seria?
Respeito
Muito obrigada por tanto e por partilhar um pouco de você e por me permitir fazer parte de tantos momentos da sua jornada.
Para acompanhar mais sobre Mbaima:
https://www.instagram.com/mbaimamontay/