Bia Ferraz: ”Comportamento e marca pessoal em 2026: menos performance, mais presença”

Bia Ferraz: ”Comportamento e marca pessoal em 2026: menos performance, mais presença”

Neste ano, marca pessoal não é sobre aparecer, mas sobre existir com coerência e construir reputação no silêncio

Depois de anos de hiperexposição, estratégia excessiva e relações mediadas por métricas, 2026 se apresenta como um ponto de inflexão no comportamento humano e, por consequência, na forma como marcas pessoais serão construídas e percebidas.

Não se trata de abandonar a estratégia, mas de recolocá-la no lugar certo. O que começa a ganhar força é um cansaço coletivo da performance constante e uma valorização crescente da presença real, das trocas não utilitárias e da vida menos instrumentalizada. Para quem leu o meu artigo sobre networking, vai me entender.

A marca pessoal desse futuro tão cada vez mais próximo será menos sobre aparecer e mais sobre existir com coerência e congruência com quem se é.

A saturação da estratégia e o esgotamento da imagem.

Nos últimos anos, as pessoas aprenderam a:

Se posicionar,

Narrar suas trajetórias,

Construir autoridade,

Monetizar visibilidade.

O problema é que esse aprendizado virou um manual, um verdadeiro copy/paste, e todo mundo, sem exceção, se tornou especialista em posicionamento de marca… A consequência foi uma avalanche de discursos parecidos, comportamentos previsíveis e relações calculadas.

Em 2026, esse modelo começa a perder valor simbólico. O excesso de intencionalidade gera desconfiança. A imagem perfeita, sem falhas ou silêncio, deixa de inspirar e passa a cansar.

A nova “sofisticação” é não estar o tempo todo disponível. Um novo lifestyle se desenha.

A valorização do offline como sinal de status emocional.

Estar menos online deixa de ser ausência e passa a ser escolha consciente.

O offline era visto como desvantagem, agora se torna:

Espaço de saúde mental,

Fonte de repertório real,

Diferencial comportamental.

Pessoas que sabem se desconectar, preservar tempo, cultivar silêncio e viver experiências fora da lógica de registro constante passam a ser percebidas como mais centradas, confiáveis e interessantes. E, muito naturalmente, percebi esse movimento acontecer com pessoas que estão há pelo menos os últimos 7 anos muito ativas no digital. Eu mesma fui alterando meu comportamento na jornada: cada vez menos presente online, cada vez mais presente offline.

Em 2026, uma marca pessoal interessante não é a mais visível é a que não precisa provar o tempo todo que está ativa. E isso, confesso, traz uma leveza e consciência de marca tão bacanas. Foi difícil de conquistar.

Volto a lembrar: conexões sem estratégia, o retorno do vínculo pelo vínculo.

É um movimento claro o desgaste do networking utilitarista. As pessoas estão cansadas de relações que começam com intenção oculta e terminam quando o interesse acaba.

O que volta a ganhar valor:

Conversas sem objetivo, é o que mais tenho desejado rsrs, eu era a que falava de negócios em festas infantis…

Encontros sem pauta, só pelo prazer de rever a pessoa 🙂

Trocas que não precisam gerar negócios, e de preferência de temas aleatórios e nada profundos, como apenas uma dica de um creme bom ou um compartilhar de um momento da vida.

Estratégia não deixou de existir, mas porque nem toda relação precisa ser um ativo. Não é  mesmo?

Em 2026, criar vínculos simplesmente porque é bom, porque faz sentido humano, passa a ser um comportamento raro e, exatamente por isso, valioso. Tenho experimentado e tentado viver isso desde meados de junho de 2025.

Menos autopromoção, mais reputação construída em silêncio

A autopromoção explícita começa a perder força. Em seu lugar, cresce a reputação construída por:

Indicação espontânea,

Presença consistente,

Comportamento consistente ao longo do tempo.

A pergunta muda de “como posso ser visto?” para “como sou lembrado quando não estou na sala?”.

A marca pessoal deixa de ser discurso e passa a ser efeito colateral do comportamento.

O novo capital simbólico: calma, profundidade e coerência

As pessoas que se destacam em 2026 não são as mais barulhentas, mas as que demonstram:

Calma em ambientes acelerados,

Profundidade em conversas rasas,

Coerência entre fala, rotina e escolhas.

Em um mundo que corre, quem desacelera comunica poder.
Em um mercado que performa, quem é inteiro se diferencia.

Outro dia uma cliente me disse que eu havia falado pra ela algo que a pegou de surpresa. Ela chegou em minha casa e perguntou: “Como está, Bia? Muito corrida?” Eu respondi que não, que não estava corrida e que estava cada vez mais tranquila com o meu dia a dia, fazendo melhores escolhas e removendo os barulhos.

O que ficou ainda evidente também em uma outra conversa com uma pessoa que desejava que eu participasse de uma Master Mind. Eu disse que esses ambientes já não estavam mais em minha estratégia, o que a fez me chamar de “plena”. Eu sorri, mas a verdade é que aprendi que o barulho do outro não pode entrar, e nem posso me deixar instalar uma demanda que realmente eu não tenho…

O futuro da marca pessoal é menos sobre construção e mais sobre sustentar escolhas

2026 não pede mais camadas, mais narrativas (aliás, esse termo já está me dando um certo bode) ou mais fórmulas.
2026 pede para sustentar escolhas que ancorem emocional, relacional e eticamente.

Marcas pessoais interessantes serão aquelas que:

Sabem quando aparecer e quando silenciar,

Constroem relações sem pressa,

Entendem que nem tudo precisa virar conteúdo (agora aqui preciso gerar um merchan para a minha agência de slow content),

Reconhecem que viver bem também comunica, e como comunica.

No fim, a maior tendência comportamental não é tecnológica. É humana. Aliás, a IA está aí pra isso: fazer sobrar tempo para sermos mais humanos.

E talvez o verdadeiro posicionamento daqui pra frente seja simples e profundamente contraintuitivo:

Ser bom, estar presente e viver de forma que faça sentido, mesmo quando ninguém está olhando. Essa, sem dúvida, já era minha premissa; agora está virando mantra.

Quer aprender a construir uma Marca Pessoal genuína? Me chama!

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Bia Ferraz
Mentora e Estrategista de Marca Pessoal e Negócios | Branding, Comunicação e Design | Há + de 30 anos organizando e desenvolvendo pessoas e negócios | Palestras e Workshop

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