O Banco Central (BC) determinou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e sua distribuidora de títulos e valores mobiliários. As instituições, que anteriormente faziam parte do conglomerado Master, enfrentaram uma significativa deterioração em sua situação financeira.
De acordo com o comunicado do BC, o Banco Pleno representa uma pequena parcela do sistema financeiro nacional, correspondendo a apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais. A decisão de liquidação foi tomada após o comprometimento da situação do banco, especialmente em relação à sua liquidez.
O Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, tem como proprietário Augusto Lima, que manteve sociedade com Daniel Vorcaro até julho de 2025. A trajetória de crescimento da instituição esteve intimamente ligada à expansão do Banco Master, que atualmente enfrenta o maior prejuízo da história do sistema financeiro brasileiro, com perdas estimadas entre R$ 47 bilhões e R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A história do Banco Pleno está conectada ao empreendedorismo de Augusto Lima na Bahia, onde fundou o Credcesta, um sistema de cartão de crédito consignado para servidores públicos. A operação, iniciada em seu estado natal, expandiu-se para outros 24 estados brasileiros desde 2018.
Um aspecto relevante que conecta o Banco Pleno ao caso Master é o envolvimento de ambas as instituições com o fundo de investimentos Reag, liquidado em janeiro deste ano. O fundo está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes bancárias, com possíveis conexões que se estendem desde pequenas instituições financeiras até supostas aplicações relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A medida de liquidação extrajudicial adotada pelo BC segue linha similar à ação tomada contra o Banco Master em novembro do ano anterior, representando mais um capítulo na série de intervenções regulatórias no sistema financeiro nacional.