A liquidação do Banco Master e as investigações sobre seu controlador, Daniel Vorcaro, podem resultar em um prejuízo bilionário que poderá ser arcado pelos contribuintes brasileiros. O caso, que ganhou destaque após a Operação Compliance Zero em novembro de 2025, gerou um rombo de aproximadamente R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O impacto financeiro da liquidação do Banco Master e do Will Bank afeta principalmente duas frentes:
* Fundos de previdência que investiram em títulos do banco com promessa de retornos acima do mercado, incluindo 19 fundos de previdência própria que fizeram investimentos desde 2023. O caso mais expressivo é o da Rioprevidência, que investiu R$ 970 milhões em letras financeiras do banco.
* O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, que pode necessitar de uma injeção de capital de até R$ 5,5 bilhões devido à aquisição de carteiras de crédito do Master que estão sob investigação.
Os fundos de previdência de estados como Amazonas, Amapá e Rio de Janeiro podem ser severamente afetados. No Rio de Janeiro, a situação preocupa mais de 240 mil beneficiários da Rioprevidência. Segundo especialistas, caso os prejuízos se concretizem, as alternativas para cobrir o rombo incluem:
* Aumento nas contribuições dos servidores ativos e inativos
* Maior participação do Estado no pagamento por servidor
* Aporte direto do governo estadual, utilizando recursos públicos
A Polícia Federal investiga as circunstâncias dos investimentos, tendo inclusive preso o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, por suspeita de obstrução de justiça. Operações também foram deflagradas no Amapá para investigar os investimentos da Amprev no banco.
O BRB, por sua vez, busca alternativas para minimizar possíveis prejuízos, incluindo a revenda das carteiras de crédito adquiridas do Master. O banco admitiu que pode necessitar de aporte do governo do Distrito Federal para recompor seu capital.
O caso do Banco Master evidencia como operações financeiras questionáveis podem impactar diretamente os cofres públicos e, consequentemente, toda a sociedade. Enquanto as investigações prosseguem, resta aos contribuintes aguardar o desfecho e as possíveis consequências financeiras que poderão recair sobre eles.