Daniel Vorcaro, figura central nas investigações de um esquema de fraude estimado em R$ 12 bilhões envolvendo a venda de créditos do Master para o Banco de Brasília (BRB), recusou-se a fornecer a senha de seu celular durante depoimento sigiloso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O executivo, que prestou depoimento na semana passada, foi questionado pela delegada Janaina Palazzo sobre o acesso ao aparelho celular apreendido durante sua prisão em 17 de novembro. Após consultar seu advogado Roberto Podval, Vorcaro negou o pedido, alegando que o dispositivo continha mensagens de caráter privado sem relação direta com as investigações sobre fraudes no Master.
* O depoimento foi marcado por momentos de tensão entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o juiz auxiliar indicado por Toffoli para conduzir a audiência.
* O ministro Dias Toffoli enviou 82 perguntas para serem feitas a Vorcaro, divididas em seis blocos, abordando temas como conexões políticas, a venda do Master ao BRB e reuniões com integrantes do Banco Central.
* A delegada Janaina Palazzo inicialmente resistiu em fazer as perguntas preparadas por Toffoli, aceitando apenas após registro em ata de que as questões eram provenientes do gabinete do relator.
O celular de Vorcaro é objeto de grande interesse nos meios políticos e jurídicos de Brasília. Após quebras de sigilos, a CPI do INSS recebeu um arquivo contendo os contatos telefônicos do executivo, que incluíam três ministros do Supremo, cinco senadores, 20 deputados e um governador.
Durante o depoimento, Vorcaro admitiu manter relações sociais com diversas autoridades, mas foi superficial em suas respostas. Confirmou poucos encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, negando ter solicitado intervenções em seu favor.
O executivo não foi questionado sobre o contrato do Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos.