Associações lançam carta ao Judiciário

Foto: Felipe Werneck/Ibama
Associações que representam vítimas de diferentes tragédias brasileiras se reuniram pela primeira vez em um ato histórico no Memorial de Brumadinho, na Grande BH, nesta sexta-feira (23). O encontro ocorreu às vésperas dos sete anos do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, que resultou em 272 mortes.
Durante o evento, as instituições lançaram a “Carta à Justiça do Brasil”, documento que reúne demandas e alertas sobre a morosidade nos processos criminais e o risco de repetição de novos desastres no país.
As associações participantes incluem:
* Avabrum (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Vale)
* Afavinu (Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu)
* AVTSM (Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria)
* CAF (Comissão dos Atingidos pela Barragem de Fundão)
* MAM (Movimento Popular pela Soberania na Mineração)
* MUVB (Movimento Unificado das Vítimas da Braskem)
Maria Regina da Silva, vice-presidente da Avabrum e mãe de Priscila Elen, técnica de manutenção da Vale que faleceu no desastre, expressou sua esperança: “A fé continua. Eu me recuso a acreditar que não vou viver essa justiça. Quero viver para ver essa justiça”.
O ano de 2024 marca o início das audiências de instrução do processo criminal de Brumadinho, com destaque para o possível retorno do ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, ao processo após recurso do Ministério Público. Schvartsman havia sido beneficiado por um habeas corpus e aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal.
* Brumadinho (2019): 272 mortos, duas pessoas ainda desaparecidas
* Mariana (2015): 19 mortos, danos ambientais em dois estados
* Maceió (2018): Afundamento de cinco bairros, 60 mil pessoas afetadas
* Boate Kiss (2013): 242 mortos e 636 feridos
* Ninho do Urubu (2019): 10 adolescentes mortos