Um dia após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão do ditador Nicolás Maduro, o presidente americano Donald Trump reacendeu a polêmica sobre seus planos de anexar a Groenlândia, território semi autônomo pertencente à Dinamarca. O interesse pelo território ártico se deve à sua posição estratégica, além das reservas de terras raras e recursos naturais.
Em entrevista à revista The Atlantic, Trump foi direto ao expressar suas intenções: “Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa”, declarou o republicano quando questionado se a intervenção na Venezuela sinalizaria uma possível ação militar na Groenlândia.
A tensão diplomática aumentou quando Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, publicou no X uma imagem da Groenlândia com as cores americanas e a mensagem “Soon”. A provocação gerou reações imediatas das autoridades dinamarquesas e groenlandesas.
O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, Jesper Moller Sorensen, respondeu enfatizando a aliança entre os países e os investimentos em segurança: “O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico – somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério”.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, classificou a publicação como “desrespeitosa”, afirmando que “nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por postagens em redes sociais”. A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen foi ainda mais enfática ao declarar que “não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre os Estados Unidos assumirem a Groenlândia”.
As relações entre EUA e Dinamarca têm se deteriorado durante o segundo mandato de Trump. Em março, o vice-presidente J.D. Vance criticou os investimentos dinamarqueses na ilha durante visita a uma base militar americana. Em agosto, um relatório revelou operações secretas de espionagem realizadas por pessoas ligadas a Trump na Groenlândia.
A nomeação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos EUA para a Groenlândia em dezembro também gerou protestos dos líderes dinamarqueses e groenlandeses, que exigiram respeito pela integridade territorial do estado autônomo.