Donald Trump elevou o tom contra o Federal Reserve ao ameaçar processar Jerome Powell, atual presidente da instituição, intensificando um conflito que já se arrasta há anos entre a Casa Branca e o banco central americano.
O embate tem como pano de fundo a política de juros dos Estados Unidos, onde Trump pressiona por cortes mais agressivos para estimular a economia, enquanto o Fed mantém uma postura cautelosa, priorizando o controle inflacionário e a estabilidade econômica.
* O Fed realizou três cortes consecutivos em 2025, com a última redução em dezembro fixando a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o menor patamar desde setembro de 2022
* Trump intensificou as críticas a Powell, chegando a chamá-lo de “burro” e “teimoso” em junho, antes de uma audiência no Congresso
* O presidente americano defendeu publicamente que os juros deveriam estar “de dois a três pontos percentuais mais baixos”
* O governo Trump passou a mencionar a possibilidade de uma investigação criminal contra Powell
* A acusação alega que o presidente do Fed teria prestado informações incorretas ao Congresso sobre os custos da reforma da sede da instituição
* A investigação está sendo conduzida pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Colúmbia, sob autorização da procuradora Jeanine Pirro, nomeada por Trump
Em resposta às acusações, Powell divulgou um comunicado no último domingo (11) afirmando que a investigação faz parte de uma estratégia mais ampla para pressionar o Federal Reserve a promover cortes mais agressivos nos juros, mesmo com a inflação acima da meta de 2%.
O presidente do Fed destacou que a medida é “sem precedentes” e declarou: “Essa ameaça não está relacionada ao meu depoimento nem às obras”. Powell argumentou que a ameaça de processo criminal decorre do fato de a instituição definir a taxa de juros “com base no que considera melhor para o interesse público, e não de acordo com as preferências do presidente”.
Vale ressaltar que Jerome Powell, primeiro não economista a liderar o Fed em 40 anos, foi inicialmente indicado por Trump em 2018 e posteriormente reconduzido ao cargo por Joe Biden em 2022. Seu mandato atual se estende até maio de 2026.