O Mercosul e a União Europeia alcançaram um marco histórico com a assinatura de um acordo comercial em Assunção, Paraguai, neste sábado (17). O tratado representa a criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo uma população de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto que ultrapassa US$ 22 trilhões.
A assinatura do acordo acontece durante a visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao continente sul-americano. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteja presente na cerimônia em Assunção, ele realizou uma reunião bilateral com von der Leyen no Rio de Janeiro na sexta-feira (16).
Durante o encontro, Lula destacou: “Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”. O presidente brasileiro também enfatizou que “o acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos. Nossa parceria vai contemplar cadeias de valor estratégicas para a transição energética e digital. Este acordo de parceria vai além da dimensão econômica”.
* O tratado estabelece tarifas reduzidas ou zeradas para diversos setores industriais e agrícolas, considerando as particularidades de cada mercado
* Aproximadamente 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia importa do Mercosul poderão ter tarifas zeradas
* Para o setor automotivo, negociam-se condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias, com prazos de 18, 25 e 30 anos
* Uma pequena parcela dos bens negociados entre os blocos permanecerá sujeita a alíquotas ou tratamentos não tarifários
Ursula von der Leyen ressaltou que o acordo deve ampliar o acesso a mercados estratégicos e criar condições mais estáveis para investimentos, especialmente em cadeias globais de suprimento essenciais para as transições energética e digital. “Regras claras, padrões comuns e previsibilidade são fundamentais para transformar essas cadeias em verdadeiras vias de investimento”, afirmou a líder europeia.
O acordo, que foi negociado por mais de 25 anos, ganhou novo impulso com a pressão do Brasil desde o início do terceiro mandato do presidente Lula em 2023. No entanto, sua implementação ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos parlamentos dos países sul-americanos, com expectativa de conclusão no segundo semestre deste ano.