Os principais bancos centrais do mundo manifestaram apoio unânime ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, após a abertura de uma investigação criminal nos Estados Unidos. A demonstração de solidariedade surge em resposta às pressões exercidas pelo presidente Donald Trump sobre a política monetária americana.
Jerome Powell revelou no domingo que o Fed recebeu uma intimação do Departamento de Justiça, relacionada ao seu depoimento no Congresso em junho sobre a remodelação da sede da instituição. O presidente do Fed caracterizou a ação como uma tentativa de influenciar as políticas da instituição financeira.
* Dirigentes de diversos bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, e bancos centrais da Austrália, Brasil e Canadá, emitiram um comunicado conjunto expressando “total solidariedade ao sistema do Federal Reserve e ao seu presidente, Jerome H. Powell”
* O documento enfatiza que “a independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos”
* Os signatários, que incluem também governadores dos bancos centrais da Dinamarca, Coreia do Sul, Suécia e Suíça, afirmaram que “o presidente Powell agiu com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público”
* A investigação está relacionada ao depoimento de Powell no Senado em junho, quando discutiu um projeto de reforma dos prédios da instituição financeira
* Trump, ao ser questionado sobre o assunto, alegou desconhecimento, mas aproveitou para criticar Powell, usando termos como “cabeça oca” e “imbecil”
* O presidente americano tem pressionado consistentemente por cortes nas taxas de juros desde seu retorno ao poder em janeiro de 2025
O Fed, como instituição independente, mantém seu compromisso duplo de estabilidade de preços e combate ao desemprego. A principal ferramenta da instituição é o estabelecimento da taxa de juros de referência, que influencia os preços dos títulos do Tesouro e os custos do endividamento.
A situação ganhou ainda mais relevância considerando que o mandato de Powell termina em maio, e Trump deverá anunciar em breve seu sucessor. Vale ressaltar que o presidente americano já havia sugerido anteriormente a possibilidade de demitir Powell e tentou remover outra dirigente do banco central, Lisa Cook, cujo caso está previsto para ser analisado pela Suprema Corte.