O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, anunciou nesta terça-feira (20) a composição de seu gabinete ministerial, marcando uma controversa decisão ao nomear dois ex-advogados do ditador Augusto Pinochet para posições-chave no governo. Fernando Barros e Fernando Rabat, que integraram a equipe jurídica do falecido ditador, assumirão respectivamente as pastas da Defesa e da Justiça e Direitos Humanos.
A escolha dos ministros gerou críticas imediatas, especialmente considerando que o regime de Pinochet foi responsável pela morte e desaparecimento de mais de 3.000 opositores entre 1973 e 1990. Kast, líder do Partido Republicano de extrema direita que assumirá o poder em 11 de março, já havia declarado publicamente sua admiração por Pinochet.
* Fernando Barros, 68 anos, novo ministro da Defesa, foi responsável pela defesa de Pinochet durante sua detenção em Londres em 1998, quando a Justiça espanhola buscava sua extradição por crimes contra a humanidade
* Fernando Rabat, 53 anos, futuro ministro da Justiça e Direitos Humanos, representou o general em um processo de desvio de recursos públicos
“Este gabinete não nasce de cotas, nem de cálculos, nem de pressões. Nasce de uma convicção profunda e de uma vocação comum: colocar o Chile sempre em primeiro lugar”, declarou Kast durante a cerimônia em Santiago.
A nomeação de Rabat provocou forte reação de organizações de direitos humanos. Alicia Lira, presidente da Agrupação de Familiares de Executados Políticos, manifestou-se: “Parece-nos realmente uma falta de respeito que alguém que fez parte da equipe de defesa do ditador mais sanguinário da América Latina possa assumir esse cargo”.
* Francisco Pérez Mackenna, ex-gerente do grupo Quiñenco, assumirá as Relações Exteriores
* Jorge Quiroz, favorito do empresariado, comandará a pasta da Fazenda
* Tamara Steinert, ex-promotora, será ministra da Segurança
* Natalia Ducó, ex-arremessadora de peso, assumirá o Ministério dos Esportes
O novo gabinete, composto por 24 ministros, foi apresentado como uma resposta a uma “emergência nacional”, segundo o documento oficial. Apesar da promessa de um “governo de unidade”, Kast optou por um perfil técnico e independente de partidos políticos.