Ação prejudicou produtores de MG e SP

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Polícia Civil concluiu inquérito que revelou o desvio de mais de 22 mil sacas de café da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), causando prejuízo estimado em R$ 52 milhões a produtores rurais de Minas Gerais e São Paulo. O presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros, foi indiciado e está foragido.
O delegado Estevan Ferreira confirmou que a investigação apontou crimes de apropriação indébita e gestão temerária de cooperativa. “Nós concluímos o inquérito hoje e concluímos que houve a caracterização do crime de apropriação indébita e de gestão temerária de cooperativa. O que significa dizer, em relação à apropriação indébita, que de forma não autorizada e na condição de depositário das sacas de café dos produtores da cidade, o senhor Elvis e os diretores, cientes disso, se apropriaram desse café”, explicou.
O caso começou a ser descoberto em agosto do ano passado, quando produtores não encontraram seus grãos armazenados nos galpões da cooperativa. Entre as vítimas, o produtor Éder Valdomiro de Carvalho perdeu 260 sacas, com prejuízo aproximado de R$ 1,2 milhão. “É muito triste porque a gente acreditou nas pessoas”, disse.
Outro produtor afetado, Evaldo Luis Vilhena Carvalho, cliente da cooperativa há 15 anos, relatou que Elvis Vilhena Faleiros inicialmente negou problemas: “Ele falou que era boato apenas, que a cooperativa não estava passando por crise alguma. Depois falou a verdade, que já estava fechando as portas e que o café que estava depositado também teria sido vendido, sem a nossa permissão”.
A investigação ouviu 30 produtores de diferentes cidades do Sul de Minas e interior de São Paulo. Segundo o advogado da cooperativa, Márcio Cunha, Elvis não se entregou pois busca meios particulares para quitar as dívidas. A cooperativa permanece em funcionamento, mas será extinta após a venda de seus imóveis, com previsão de ressarcimento escalonado aos cerca de 170 cooperados e produtores afetados.
O caso impactou significativamente a região, com produtores de Ibiraci, Cássia, Capetinga, Claraval, Franca e Cristais Paulista entre as vítimas. Uma nova assembleia está marcada para 24 deste mês para definir os procedimentos de pagamento aos prejudicados.