A família de Paulo Henrique Pereira dos Santos, jovem de 26 anos morto por uma policial federal à paisana em Belo Horizonte, está denunciando falhas e falta de transparência na investigação conduzida pela Polícia Federal. O incidente ocorreu na Rua Itororó, no Bairro Padre Eustáquio, durante uma suposta tentativa de roubo.
Dayane Lopes Pereira, irmã da vítima, defende que Paulo Henrique era trabalhador e não possuía antecedentes criminais. No momento do incidente, segundo ela, o irmão carregava uma mochila com documentos e currículos. “Mesmo se ele tivesse (passagem pela polícia), ela (a policial federal) não poderia ter matado ele, ainda mais com um tiro nas costas”, afirma Dayane.
A família aponta diversas irregularidades no processo:
* O corpo de Paulo Henrique foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) como indigente, apesar de estar com documentos de identificação na mochila, incluindo certidão de nascimento
* A Polícia Federal não disponibilizou as gravações das câmeras de segurança que registraram o incidente
* A família não teve acesso ao registro da ocorrência
* Os documentos da vítima foram retidos, dificultando o processo de liberação do corpo
Paulo Henrique foi velado e sepultado no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara. “Eles estão escondendo tudo, parece que não querem que a gente saiba de nada […] e ainda estão colocando ele como bandido, sendo que ele não tem passagem”, desabafa Dayane.
Segundo informações da Polícia Federal, a agente estava a serviço na região e à paisana quando teria sido surpreendida pela suposta tentativa de roubo. A policial efetuou um disparo com sua arma institucional, atingindo Paulo Henrique nas costas. A corporação informou que um inquérito policial será instaurado para apurar detalhadamente a dinâmica da ocorrência.
A PF também declarou que a policial não sofreu ferimentos e está recebendo suporte institucional. Até o momento, a corporação não se manifestou sobre as denúncias feitas pela família de Paulo Henrique.