A ONG Portas Abertas divulgou seu relatório anual nesta quarta-feira (14), revelando que mais de 388 milhões de cristãos viveram em contextos de forte perseguição e discriminação religiosa em 2025. Este número representa um aumento de 8 milhões em comparação com 2024, atingindo um nível histórico.
O documento apresenta dados alarmantes sobre a perseguição religiosa global, detalhando casos de violência, detenções e ataques contra cristãos em diversas regiões do mundo. David Haemerlin, diretor-geral da Portas Abertas França e Bélgica, destacou a gravidade da situação durante coletiva de imprensa em Paris.
* Durante o período de 1º de outubro de 2024 a 30 de setembro de 2025, foram registrados 4.849 cristãos mortos em decorrência de perseguição religiosa
* Aproximadamente 4.712 cristãos foram detidos e 3.632 igrejas sofreram ataques em diferentes países
* Um total de 22.702 cristãos foram forçados a deixar seus países de origem devido à perseguição religiosa
* Foram documentados 4.055 casos de violência sexual contra cristãos
* A Coreia do Norte mantém a primeira posição no ranking, onde “crer em Deus é considerado uma traição ao regime”
* A Somália aparece em segundo lugar, com convertidos vivendo na clandestinidade
* O Iêmen ocupa a terceira posição entre os países mais hostis aos cristãos
A África subsaariana destaca-se como a região mais crítica desde 2015, registrando 4.491 mortes de cristãos por motivos religiosos. A Nigéria e a China reportaram cerca de mil ataques a igrejas cada, enquanto a Índia lidera o número de detenções com 2.192 casos, fundamentados em “leis anticonversão”.
A ONG esclarece que contabiliza apenas casos verificáveis de perseguição direcionada especificamente a cristãos, excluindo situações de violência generalizada que afetam toda a população. A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), organização católica, apresentou números ainda mais elevados, estimando 413 milhões de cristãos vivendo em países sem liberdade religiosa.
A situação na Síria também apresentou uma deterioração significativa, subindo da 18ª para a 6ª posição no índice da Portas Abertas, indicando um agravamento da perseguição religiosa no país.