Um novo estudo publicado no British Medical Journal revelou que pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Wegovy, podem recuperar peso até quatro vezes mais rapidamente do que aquelas que abandonam dietas convencionais e exercícios físicos.
A pesquisa indica que pacientes com sobrepeso perdem aproximadamente um quinto do peso corporal ao usar as injeções, mas após a interrupção do tratamento, recuperam em média 0,8 kg por mês, retornando ao peso inicial em cerca de um ano e meio.
* Os pesquisadores analisaram 37 estudos, envolvendo mais de 9 mil pacientes, comparando as canetas emagrecedoras com dietas convencionais e outros medicamentos
* Apenas 8 estudos avaliaram tratamentos com medicamentos GLP-1, como Mounjaro e Wegovy, com acompanhamento máximo de um ano após a interrupção
* Pessoas que optam apenas por dieta perdem menos peso, mas a recuperação é mais lenta, cerca de 0,1 kg por mês
A professora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, alertou: “As pessoas que compram esses medicamentos precisam estar cientes do risco de rápida recuperação de peso quando o tratamento termina”.
Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, explica que as injeções imitam o hormônio natural GLP-1, responsável por regular a fome. O fornecimento artificial prolongado pode reduzir a produção natural do hormônio e a sensibilidade do organismo aos seus efeitos.
No Brasil, o Mounjaro está disponível nas farmácias desde maio de 2025, com quatro doses de 2,5 mg custando aproximadamente R$ 1.400. O medicamento foi aprovado pela Anvisa em outubro de 2023 para tratamento da obesidade.
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, ressalta que o uso dos medicamentos deve ser acompanhado de alimentação saudável, atividade física e supervisão médica. “Quando o tratamento é interrompido, o peso pode retornar, o que reflete a biologia da condição, e não falta de esforço”, afirmou uma porta-voz da empresa.
Especialistas sugerem que o tratamento deve ser considerado para toda a vida, devido ao alto risco de recaída. O professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, destaca que o uso contínuo desses medicamentos por três a quatro anos permite que as pessoas mantenham um peso significativamente mais baixo do que conseguiriam apenas com mudanças no estilo de vida.