O uso crescente da melatonina como solução para problemas de sono tem gerado preocupação na comunidade médica. Disponível em diversas formas, como comprimidos, gotas e balas de goma, o suplemento tem ganhado popularidade nas farmácias brasileiras, mas seu uso indiscriminado pode trazer sérias consequências à saúde.
Um estudo recente apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA) em 2025 revelou dados alarmantes sobre o uso prolongado da melatonina. A pesquisa, que analisou mais de 130 mil prontuários, identificou riscos significativos para a saúde cardiovascular.
* Aumento de 90% na probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca em um período de cinco anos
* Risco 250% maior de hospitalização por problemas cardíacos
* Probabilidade duas vezes maior de morte por qualquer causa entre os usuários do suplemento
A neurologista Giuliana Macedo Mendes, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, alerta: “Isso significa que não podemos falar com certeza que a melatonina foi a causa das complicações identificadas, mas os dados sugerem uma forte associação entre elas, o que já basta para que médicos e a população com um todo prestem mais atenção ao tema”.
Classificada como suplemento alimentar pela Anvisa desde outubro de 2021, a melatonina pode ser comercializada sem receita médica. No entanto, especialistas alertam que esta classificação não corresponde à sua natureza bioquímica, já que se trata de um neuro-hormônio que interfere diretamente na fisiologia humana.
O professor José Cipolla-Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, destaca que a popularização da melatonina é preocupante: “A melatonina não complementa uma deficiência nutricional, como fazem os suplementos alimentares. Os hormônios interferem diretamente na fisiologia humana e seu uso indiscriminado pode trazer uma série de problemas ao usuário.”
Os efeitos colaterais imediatos do uso excessivo incluem sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação. A dosagem recomendada pela Anvisa é de 0,21 mg, e qualquer quantidade superior pode permanecer no organismo mesmo após o despertar.
* Prática de atividade física regular, preferencialmente pela manhã ou tarde
* Evitar luzes intensas durante a noite, incluindo dispositivos eletrônicos
* Manter uma alimentação leve nas últimas refeições do dia
* Utilizar técnicas de relaxamento e respiração para controle do estresse
* Buscar ajuda profissional em caso de insônia recorrente
A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) tem se mostrado uma alternativa eficaz, sendo considerada o tratamento padrão-ouro para casos crônicos. Esta abordagem ajuda a identificar e modificar comportamentos e pensamentos que mantêm o problema do sono.
Em casos específicos, como distúrbios de ritmo circadiano ou condições que afetam a percepção de luminosidade, o uso de melatonina pode ser indicado, mas sempre com acompanhamento médico regular e monitoramento das dosagens.