O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 revelou um cenário preocupante na formação médica brasileira. Dados do Ministério da Educação (MEC) mostram que 40% dos estudantes de medicina em instituições privadas com fins lucrativos não alcançaram a nota mínima necessária no exame.
A avaliação, que contou com a participação de 89 mil alunos, entre concluintes e formados que buscavam ingresso na residência médica, apresentou resultados alarmantes principalmente em três categorias de instituições: privadas com fins lucrativos, especiais (de economia mista) e universidades municipais.
O ministro da Educação, Camilo Santana, manifestou preocupação com a qualidade do ensino, especialmente considerando o alto valor das mensalidades. “Fizemos um cruzamento de dados e vimos que quase 100% dos alunos das instituições privadas também se inscreveram no Enare (Exame Nacional de Residência) [que agora usa a nota do Enamed para o ingresso dos alunos]. Ou seja, eles tinham interesse em sair bem na avaliação”, afirmou.
A análise do MEC abrangeu 351 cursos, dos quais aproximadamente 30% foram classificados como insatisfatórios. Como consequência, 54 cursos de medicina enfrentarão sanções, incluindo a redução do número de vagas até a próxima edição do Enamed.
As instituições que obtiveram classificação nas faixas 1 e 2, indicando menos de 60% de proficiência dos alunos, têm um prazo de 30 dias para apresentar recursos ao MEC. Entre as possíveis penalidades, estão previstas a suspensão da entrada de novos alunos e a redução no número de vagas disponíveis.
O ministério reforça que estas medidas são necessárias para garantir a qualidade na formação dos futuros médicos brasileiros, especialmente considerando o investimento financeiro significativo feito pelos estudantes em sua formação profissional.