Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, capturados na Venezuela durante uma operação militar dos Estados Unidos, devem comparecer à sua primeira audiência em um tribunal federal americano nesta segunda-feira, 5, para ouvir as acusações contra eles.
A audiência está programada para as 14h (horário de Brasília) no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, onde o juiz Alvin K. Hellerstein, veterano com quase três décadas de experiência, conduzirá o processo. O casal enfrenta acusações de tráfico de cocaína e narcoterrorismo pelo Departamento de Justiça dos EUA.
* Maduro foi encontrado às 2h da madrugada no Forte Tiuna, uma base militar no centro de Caracas que abriga a cúpula do governo venezuelano
* O casal foi inicialmente transportado para o porta-aviões ISS Iwo Jima no Mar do Caribe
* Após uma parada na base naval de Guantánamo, foram levados em um avião governamental 757 do FBI até a Base Aérea Stewart em Nova York
* Por fim, foram transferidos de helicóptero para Manhattan e posteriormente para o Brooklyn
O ex-ditador ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC), uma instalação que já abrigou diversos criminosos notórios, incluindo:
* Sean Combs (P. Diddy), acusado de tráfico sexual
* Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Jeffrey Epstein
* José Maria Marin, ex-presidente da CBF
* Luigi Mangione, acusado de assassinato do CEO da UnitedHealthcare
O MDC é conhecido por suas condições precárias de funcionamento. Em 2024, o Departamento de Prisões dos EUA suspendeu temporariamente o envio de detentos para o local após diversos incidentes graves, incluindo mortes de detentos. Um advogado chegou a chamar a prisão de “inferno na terra”.
Em 2019, um apagão de energia durante o inverno deixou os detentos em celas sem aquecimento por uma semana. Uma investigação do The New York Times revelou um histórico de negligência e brutalidade na unidade, que atualmente abriga 1.336 detentos.
O julgamento de Maduro e Cilia deve ocorrer em mais de um ano, e as acusações foram baseadas em uma investigação da Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA). Entre os acusados também está um filho de Maduro, cujo paradeiro permanece desconhecido.