A violenta repressão aos protestos no Irã entre os dias 8 e 10 de janeiro resultou em um número alarmante de mortes e feridos. Devido à interrupção generalizada da internet e comunicações telefônicas, os relatos chegaram principalmente através de conexões via satélite Starlink.
Os protestos, que começaram motivados pelo colapso da moeda iraniana e aumento do custo de vida, rapidamente se espalharam por 180 cidades em 31 províncias, transformando-se em um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979.
* Na cidade de Fardis, a cerca de 40 km de Teerã, unidades da Guarda Revolucionária atacaram manifestantes em parques e vielas após horas sem presença policial. Testemunhas relatam que agentes da unidade Ansar, em motocicletas e veículos particulares, dispararam diretamente contra pessoas com armas de guerra.
* Em Teerã e Karaj, forças de segurança posicionadas em pontes e terraços miravam manifestantes com lasers. Segundo testemunhas, “se você corresse, não era perseguido, mas se parasse e gritasse palavras de ordem, abriam fogo”.
* Relatos indicam uso extensivo de drones para identificar e alvejar manifestantes. Uma testemunha afirmou que “os drones sobrevoavam constantemente as pessoas. Atiravam diretamente e não importava se a pessoa era manifestante ou apenas estava na rua”.
Em Mashhad, entre 180 e 200 corpos foram levados ao necrotério na madrugada de sexta-feira, a maioria com ferimentos graves na cabeça. Em Kermanshah, testemunhas relatam ter visto cerca de 200 corpos no instituto forense local. A HRANA (Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos) confirmou 2.571 mortes, incluindo manifestantes e agentes governamentais.
A comunicação foi severamente afetada durante os protestos, com internet e telefonia móvel praticamente indisponíveis. Testemunhas relatam que os celulares funcionavam apenas pela manhã, e as únicas mensagens recebidas eram ameaças governamentais.
Após a “sexta-feira sangrenta”, um clima de medo se instalou entre a população. Como resumiu uma testemunha: “Agora, sair significa caminhar em direção à morte”. Apesar da diminuição da presença nas ruas, protestos continuam através de cânticos entoados de dentro das casas e dos telhados.
Veículos de comunicação iranianos reportaram a morte de 100 membros das forças de segurança e acusaram manifestantes de incendiar mesquitas e bancos.