Os protestos que eclodiram no Irã há duas semanas resultaram em pelo menos 192 mortes, segundo informações divulgadas pela ONG Iran Human Rights neste domingo. As manifestações, inicialmente motivadas pelo aumento do custo de vida, evoluíram para um movimento mais amplo contra o regime teocrático que governa o país desde 1979.
O movimento representa um dos maiores desafios ao governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, especialmente após o conflito recente com Israel em junho. A situação se agravou com o bloqueio total da internet no país, que já ultrapassa 60 horas, dificultando a comunicação com o mundo exterior.
* A ONG Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes, com possibilidade de números ainda maiores devido ao bloqueio da internet.
* O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) reporta que hospitais estão “sobrecarregados”, com estoques de sangue se esgotando e diversos manifestantes atingidos nos olhos.
* A Human Rights Activists News Agency confirmou 116 mortes relacionadas aos protestos, incluindo 37 membros das forças de segurança.
* O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões “significativas” de líderes dos protestos, sem especificar números ou identidades.
* O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou pela emissora estatal IRIB que “o povo não deve permitir que vândalos perturbem a sociedade”.
* Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, alertou sobre possíveis retaliações contra instalações militares americanas em caso de intervenção dos EUA.
A situação em Teerã permanece tensa, com a capital praticamente paralisada. O preço da carne quase dobrou desde o início das manifestações, e muitos estabelecimentos comerciais fecharam suas portas. Apesar da repressão governamental, vídeos nas redes sociais mostram que os protestos continuam em diversas cidades, incluindo Teerã e Mashhad.
A comunidade internacional manifestou preocupação com a situação. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, pediu à União Europeia que classifique a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista, enquanto o papa Leão XIV fez um apelo ao diálogo e à paz.