Frank Martins: “O homem que manda hoje no futebol brasileiro tem nome e sobrenome: Pedrinho BH”

Frank Martins: “O homem que manda hoje no futebol brasileiro tem nome e sobrenome: Pedrinho BH”

O que o Pedro Lourenço está fazendo não está só reconstruindo um clube. Ele está redefinindo a lógica de poder do futebol brasileiro.

Há quem diga que o futebol brasileiro vive sob a ditadura de dois impérios: o Palmeiras da modernidade e o Flamengo da ostentação. Mas eis que de Belo Horizonte surge um homem disposto a desafiar essa lógica e bagunçar o tabuleiro: Pedro Lourenço, o Pedrinho BH.

O que o presidente e dono do Cruzeiro fez nesses primeiros dias do ano é pra se aplaudir de pé. Enquanto muitos clubes se perdem em discursos, o Pedrinho trabalha em silêncio, com método, coragem e amor verdadeiro ao clube. Foi um líder quase silencioso, mas com gestos que ecoam alto por todo o futebol brasileiro.

Recusou 30 milhões de euros do Flamengo por Kaio Jorge. Trinta milhões! E sem pestanejar. Poucos fariam isso, quase ninguém ousaria. E não parou por aí: o Cruzeiro agora está pagando 27 milhões de euros por Gerson (mais os bônus de meta), um dos meio-campistas mais técnicos e influentes do país. Ou seja, o recado foi dado: quem vende é o Cruzeiro, e quem dita o mercado também.

O Cruzeiro mostrou pra todo o Brasil que não é mais coadjuvante. É protagonista. E não é por acaso que hoje o clube volta a ser assunto principal na imprensa nacional, e sim, isso incomoda muita gente.

Pedrinho BH vem cutucando o urubu com vara curta. O Flamengo provoca no discurso, mas o Cruzeiro responde com postura, ambição e planejamento. De um lado, quem se acha dono do jogo. Do outro, quem está construindo um novo império. A rivalidade está armada. E, no futebol, quem fala menos e faz mais é quem acaba mandando no tabuleiro.

Em pouco tempo, o Cruzeiro montou um elenco encorpado, competitivo e moderno. Um grupo que mistura juventude, técnica e experiência, capaz de disputar qualquer título. Manteve sua espinha dorsal, segurou seus principais nomes e reforçou o meio-campo com inteligência. Tite, o melhor técnico brasileiro da atualidade, chega para dar continuidade ao trabalho de estrutura e devolver ao Cruzeiro o protagonismo que sempre lhe pertenceu.

E o melhor de tudo é que tudo isso está sendo feito com os pés no chão e o coração na Toca. Pedrinho não é um investidor frio, que compra um clube como quem adquire uma ação na Bolsa. Ele é um apaixonado. Um cruzeirense de arquibancada, que cresceu vendo Dirceu, Tostão, Palinha, Alex, Sorín, Fábio e cia. levantarem taças. Um homem que entende que o futebol é emoção, mas que sabe que só a gestão transforma emoção em resultado.

No ano passado, o Cruzeiro de Leonardo Jardim mostrou que conseguia competir com os gigantes. Este ano, o Cruzeiro de Tite mostra que pode superá-los. A diferença é que, agora, o clube não apenas sonha: ele planeja, investe e executa.

E, convenhamos, o que Pedrinho fez com a negociação de Kaio Jorge foi uma aula de poder. Recusar trinta milhões de euros de um rival bilionário, e ainda virar o jogo contratando o jogador que o mesmo rival queria, é mais do que ousadia: é um manifesto. O Cruzeiro, mais do que nunca, tem dono. Um dono que entende o que é ser Cruzeiro.

Se o Flamengo se acostumou a mandar, e o Palmeiras se acostumou a ganhar, o Cruzeiro está reaprendendo a incomodar. E incomodar bonito.

Porque Pedrinho BH não está só reconstruindo um clube. Ele está redefinindo a lógica de poder do futebol brasileiro.

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Frank Martins
Frank Martins
Jornalista, cruzeirense e contador de histórias do time que fez do Mineirão o palco da eternidade. Já passei pela Itatiaia, O Tempo, Hoje em Dia, TV Rede Super e ESPN FC, mas aqui no N3 News a proposta é outra: menos noticiário, mais alma. Reflexões, memórias, causos e análises do clube que carrego 5 estrelas no peito e que me ensinou a amar o futebol. Porque ser Cruzeiro é mais do que torcer: é transformar cada jogo em memória e cada título em parte da alma dessas páginas heroicas e imortais.

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