O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída de dólares de sua história, marcada principalmente por uma expressiva evasão através do canal financeiro. Apesar deste cenário, o real manteve-se valorizado durante o ano, beneficiando-se dos juros elevados no país e do enfraquecimento do dólar no mercado internacional.
O desempenho do fluxo cambial foi caracterizado por movimentos distintos entre os canais financeiro e comercial:
* O canal financeiro registrou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões, configurando-se como o segundo maior déficit da série histórica, ficando atrás apenas de 2024. Este resultado incluiu investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros e pagamentos de juros.
* No canal comercial, houve uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, valor que, embora positivo, não foi suficiente para compensar a expressiva saída pelo canal financeiro. O volume ficou abaixo do recorde de 2007 e do resultado observado em 2024.
As operações comerciais foram marcadas por números significativos, com as exportações alcançando US$ 287,5 bilhões no ano. O volume de câmbio contratado para importações atingiu US$ 238 bilhões, representando o segundo maior valor da série histórica, sendo superado apenas por 2022.
O Banco Central manteve uma atuação conservadora no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, através do mecanismo “casadão”, que combina venda de dólares das reservas internacionais com swaps cambiais reversos.
Em dezembro de 2025, o fluxo cambial apresentou resultado negativo de US$ 13,562 bilhões, menos intenso que o mesmo período de 2024, quando a saída foi de US$ 27 bilhões. O mês foi caracterizado por uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.
Um fator relevante para o aumento das remessas ao exterior em dezembro foi a antecipação de empresas e investidores ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.
O fluxo cambial, que serve como uma prévia do balanço de pagamentos, demonstrou que a principal pressão sobre a saída de dólares em 2025 ocorreu no canal financeiro, mesmo com o desempenho positivo do real no período.