Quando o networking vira uma transação, sua marca vira um produto. Estratégia genuína constrói pontes, não extrai valor
Networking sempre foi e continuará sendo um dos ativos mais poderosos de uma marca pessoal. Eu que o diga. Sofri muito por não ter considerado isso na minha carreira e, quando fui empreender, entendi de fato o seu significado e a sua importância.
Relações constroem reputações, abrem portas, aceleram carreiras e sustentam negócios. O problema não está no networking em si, mas na forma como ele vem sendo praticado.
O que vi nos últimos anos é que o discurso da “marca pessoal estratégica” ganhou cada vez mais força. Com ele, veio também algo perigoso: a ideia de que toda relação precisa gerar retorno imediato. Conexões deixaram de ser relações e passaram a ser instrumentos.
O resultado? Um networking raso, utilitarista e cada vez mais previsível que, ao invés de fortalecer marcas, as fragiliza.
Onde o princípio passa a ser: que benefício você irá me trazer? Será que meu tempo vale um café com você?
O limite entre estratégia e oportunismo
Ser estratégico não é ser oportunista.
A diferença está na intenção, no tempo e na coerência do comportamento.
O oportunismo aparece quando a relação só existe enquanto há algo a ganhar. Mas quando a conexão é genuína, ao contrário, constrói valor antes de esperar qualquer retorno.
Vou listar abaixo alguns comportamentos que ajudam a deixar essa linha muito clara.
Ações que desqualificam a marca pessoal – Networking oportunista
Só aparecer quando precisa
Pessoas que somem por meses ou anos e reaparecem apenas para pedir algo deixam um rastro claro de interesse. Já deve ter acontecido com você, não é mesmo? Um antigo colega de trabalho, do nada, te envia uma mensagem e o currículo…
Excesso de elogios seguido de pedido
Bajulação estratégica. Geralmente vem acompanhada de um pedido ou de uma demanda. Todo falso elogio é sentido e interpretado de forma muito rápida.
Conectar sem contexto ou intenção clara
Apresentar pessoas apenas para “ver no que dá” demonstra falta de cuidado com o tempo e a reputação dos dois lados.
Usar autoridade alheia como vitrine
Citar nomes, marcar pessoas estratégicas ou forçar proximidade pública para ganhar status enfraquece a credibilidade.
Relacionamentos descartáveis
Quando o objetivo não é alcançado, a relação é abandonada. Isso comunica mais do que qualquer discurso de marca pessoal.
Networking de performance nas redes
Curtir, comentar e interagir apenas quando há interesse direto e desaparecer em seguida constrói uma imagem calculada e pouco confiável.
Ações que demonstram networking genuíno – e estratégico de verdade
Presença consistente, sem demanda imediata
Manter contato, acompanhar trajetórias e interagir sem pedir nada em troca gera relações de longo prazo.
Troca antes da expectativa de retorno
Indicar, ajudar, compartilhar oportunidades ou conhecimento sem garantia de reciprocidade é um dos maiores sinais de maturidade. Gere valor infinito a cada contato que fizer.
Escuta real e interesse genuíno
Fazer perguntas certas, lembrar de contextos e respeitar momentos demonstra que a pessoa importa e não apenas o que ela pode oferecer.
Conexões feitas com propósito e responsabilidade
Apresentar pessoas com contexto, clareza e intenção fortalece sua posição como alguém confiável.
Reconhecimento público sem interesse oculto
Valorizar o trabalho de alguém sem atrelar isso a um pedido imediato constrói reputação e reciprocidade de forma natural.
Ser coerente / congruente entre discurso e prática
A marca pessoal é previsível no melhor sentido. As atitudes se repetem, independentemente de quem está olhando.
Networking não é curto prazo. É construção de reputação.
A verdade é simples, ainda que desconfortável.
Quem faz networking apenas para ganhar algo rápido, perde no longo prazo.
Marcas Pessoais não se constroem pela quantidade de contatos, mas pela qualidade das relações e pela confiança acumulada ao longo do tempo.
Networking estratégico não é sobre usar pessoas e qual benefício ela vai te trazer.
É sobre construir pontes que façam sentido existir, mesmo quando não precisamos atravessá-las agora. E isso, mais cedo ou mais tarde, sempre retorna.
Hoje, com mais experiência e eu diria ainda mais “tarimbada”, já consigo detectar de longe o que é genuíno ou não. Consigo entender também, e ter sabedoria, quando eu não sou e nem serei parte da estratégia de alguém. Faz parte.
E saber reconhecer que não é porque o outro não aceitou um convite que eu não deva continuar ajudando.
Sou do tipo que gera valor genuíno a cada contato. Essa é a minha premissa.
Se você quer deixar sua marca no mundo de forma genuína, estou a uma mensagem de distância.