Novos ataques aéreos israelenses em Gaza resultaram na morte de pelo menos 28 pessoas neste sábado (31), conforme informado pelo serviço de resgate do território. O incidente ocorreu horas antes da planejada reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah.
Segundo a agência de Defesa Civil, que opera sob autoridade do Hamas, entre as vítimas estão “crianças, mulheres e um idoso”, com pessoas ainda presas sob os escombros. O porta-voz Mahmud Basal informou que os ataques atingiram “edifícios residenciais, tendas e uma delegacia de polícia”.
Os ataques se distribuíram em diferentes localidades:
* Em Al Mawasi, área ao sul da Faixa onde milhares de deslocados vivem em tendas, houve bombardeios intensos, embora o número exato de vítimas ainda não tenha sido determinado
* Na Cidade de Gaza, o ataque contra uma delegacia resultou em sete mortos, incluindo agentes e civis, conforme informado pelo comando da polícia
* O Exército israelense justificou as ações como resposta a um incidente ocorrido na sexta-feira, quando oito combatentes palestinos foram vistos saindo de um túnel em Rafah, alegando violação do acordo de trégua
Em comunicado, as forças israelenses afirmaram ter “atingido quatro comandantes e outros terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza”. O Hamas, por sua vez, classificou os bombardeios como um “crime brutal”.
A situação se intensifica às vésperas da reabertura do posto fronteiriço de Rafah, prevista para domingo, que permitirá uma passagem limitada e controlada entre Gaza e o Egito. O COGAT, organismo do Ministério da Defesa israelense, informou que o deslocamento será coordenado com o Egito e supervisionado por uma missão da UE.
Desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, mais de 71.000 palestinos morreram na campanha militar israelense em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. O cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro permanece frágil, com ambos os lados trocando acusações de violações. Mais de 500 pessoas teriam morrido em ataques israelenses desde então.
A situação humanitária continua crítica, com praticamente toda a população de Gaza tendo sido deslocada múltiplas vezes durante os dois anos de guerra. Centenas de milhares de pessoas, de uma população total de dois milhões, sobrevivem em tendas, enquanto autoridades de saúde denunciam restrições ao acesso de material médico, medicamentos e equipamentos essenciais.